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Realidade alimenta a inquieta imaginação de Roberto Alvim

23 DEZ 2015 - 07h00

A realidade alimenta a inquieta imaginação do encenador Roberto Alvim. Em 2014, ao observar os debates que marcaram a eleição presidencial, ele ficou impressionado com a forma como políticos manobravam as mesmas palavras, que ora serviam para conciliar, ora para atacar. Exatamente as mesmas. Alvim logo se lembrou da retórica emocional de Brutus e Marco Antônio, da peça Julio César, de Shakespeare. A partir dessa manipulação de afetos, ele construiu “Caesar - Como Construir um Império”, um estimulante debate sobre o jogo das palavras.

Como a política nacional dos dias atuais mais se parece com uma caixa de Pandora (na qual, acreditavam os gregos antigos, guardavam-se todos os males do mundo), Alvim continuou com sua sede de filtrar a realidade por meio da arte e, ao buscar uma obra literária que lhe servisse de ponto de partida para um novo trabalho, chegou ao romance “Leite Derramado”, de Chico Buarque de Hollanda, cuja versão pessoal pretende estrear em agosto, no Sesc Pinheiros.

"A partir desse livro, pretendo pensar a formação do Brasil por meio do teatro", comenta o encenador. "Quero discutir esse ethos nacional, mas de uma forma diferente do que fizeram outros, como o realismo utilizado por Jorge de Andrade. Pretendo trabalhar o tempo (o nosso tempo) a partir do delírio do velho Eulálio."

Publicado em 2009, “Leite Derramado” reproduz o monólogo de um homem muito velho, que está no leito de um hospital - o tal Eulálio. Dirigida à filha e às enfermeiras, a fala desarticulada do ancião cria dúvidas e suspenses e é por meio desse labirinto que Alvim retrabalhou o texto original, transformando-o em um espetáculo para 20 atores, além de música executada ao vivo por dez profissionais, liderados pelo filósofo Vladimir Safatle, também autor da melodia.

"Será uma recriação, mas mantida a essência do original", comenta Alvim que, com o projeto, conseguiu empolgar Chico Buarque. "Ele gostou da ideia e assimilou a reconstrução de seu texto - afinal, ser fiel é saber se colocar no mesmo lugar pulsante que impulsionou o autor do original."

Aos 42 anos, Roberto Alvim acredita ser esse seu principal projeto criativo. "Sinto ter me preparado até agora para enfrentar essa miríade de complexidades que estão no livro." Assim, é importante contar com a parceria com Safatle, iniciada em Caesar. Mas, se nesse primeiro trabalho a música executada ao vivo impulsionava os atores a darem o próximo passo, mostrando como a história nos despossui de nossos atos, agora, em Leite Derramado, Safatle pretende trabalhar com a ideia de plasticidade temporal e de presença espectral.

"Neste caso, a função da música é a de construir uma dimensão de espectralidade, de liminaridade, para produzir uma espécie de rememoração delirante na qual presente, passado e futuro se contraem em uma só dimensão”, comenta.

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