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Jornal Diário de Suzano - 22/09/2020
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Releitura de Tarzan e comédia nacional marcam as estreias do cinema de Suzano

21 JUL 2016 - 08h00

A aventura “A Lenda de Tarzan” e a comédia nacional “Entre Ida e Vindas” estréiam, hoje, no Centerplex de Suzano. O primeiro é uma releitura da clássica história de Tarzan, o pequeno garoto órfão que é criado na selva, e mais tarde tenta se adaptar à vida entre os humanos. Já o segundo, mostra a jornada de quatro amigas de férias em um motorhome que dão carona a pai e filho, cujo carro em que viajavam, um velho Lada, quebra sem possibilidade de conserto.

O ator Alexander Skarsgard, que tem a responsabilidade de interpretar Tarzan na atual releitura, ressaltou em entrevista: “Tarzan era o herói de meu pai e ele nos transferiu esse amor. Fiquei excitado ao saber que haveria um novo filme, e que poderia estar nele”. Mais entusiasmado ficou ao descobrir que o relato de “A Lenda de Tarzan” começa em Londres e que a trama leva o herói de volta à África, onde o rei da selva tem de resolver velhas questões para impedir que o emissário do rei belga Leopoldo - o Capitão Rom - tenha acesso às míticas joias de Opar, para com elas construir um exército inexpugnável, com o qual submeterá todo o Congo.

“A Lenda de Tarzan” é - também - sobre vingança. Tarzan tem de se resolver com o meio irmão macaco e com o chefe nativo de quem ele matou o filho. A própria Jane Potter, sequestrada por Rom, antecipa o que Tarzan fará com o vilão, e você pode estar certo de que ele terá o fim que merece, mas, para o próprio Skarsgard, o filme é sobre outra coisa. “É sobre o retorno (à selva, ao lar)”.

A Lenda constrói seu herói a partir das mãos. A mão do bebê, aninhada na da gorila, que será sua mãe. Mãos que afagam, constroem, em oposição às do vilão, que só destrói com as dele.

Por ter sido criado e passado a vida toda entre macacos, Tarzan conserva, claro, traços de um “incivilizado” - e, portanto, de um sujeito viril e pouco amistoso, segundo a lógica de Burroughs, que carrega no racismo do órfão aristocrata inglês. Por razões pouco claras, ele é afável com os macacos, mas age com violência contra os negros africanos, que vê como inimigos. Caucasianos são promovidos à categoria de dominadores naturais. A “civilização” está em suas mãos.

A propósito: Tarzan, na língua dos mangani, os grandes macacos criados por Burroughs, quer dizer “pela branca”. Os negros africanos, vistos como inferiores por Tarzan, descem à condição de suspeitos, traiçoeiros.

No livro original, Burroughs sente-se na obrigação de resolver esse paradoxo. Como um aristocrata de sangue azul, o anglo-saxão perfeito, pode ser também o exemplo máximo do atleta viril, selvagem e racista, que cultiva suas paixões sem culpa, rejeitando aquilo que a sociedade dos brancos lhe oferece? Burroughs resolve esse dilema fazendo com que Tarzan evolua e venha a entender que nem toda a violência é justificável - assim, ele deixa de implicar com toda a raça negra, ainda que trucide um ou outro africano, obedecendo à lógica interna dessa obra serialista.

A supremacia anglo-saxônica parece não se ajustar ao desejo carnal, à paixão física, de um Tarzan simiesco. O mundo civilizado é feminino demais segundo a lógica de Burroughs - por essa razão, Tarzan encontra mais ressonância entre o público masculino, identificado com o macho voluntarioso. Jane, antes de ceder, recusa a oferta de casamento de Tarzan no fim do livro embrionário, justamente porque a versão civilizada do “homem macaco” lhe parece pouco interessante (ou viril, quem sabe).

Entre um selvagem com ligeiras noções de ética e um lorde consciente do seu direito à propriedade, Jane fica com os dois, tentando se adaptar à lei da selva, onde o mais forte tem a última palavra. Burroughs criaria ainda outro herói deslocado de seu meio: John Carter, herói da Guerra Civil Americana abduzido por marcianos. Não por coincidência, inventado em 1912, ano em que nasceu Tarzan numa revista pulp.

ENTRE IDAS E VINDAS

O novo longa de José Eduardo Belmonte traz no elenco Ingrid Guimarães, Alice Braga, Caroline Abras e Rosanne Mulholland, além de Fabio Assunção, que contracena pela primeira vez com o seu filho, João. A história mostra a jornada de quatro amigas de férias e que acabam dando carona a pai e filho. Cada personagem carrega feridas e motivações que vêm à tona no decorrer da trama. Histórias que ora são triste, e outras cômicas. No fim da viagem, novos laços afetivos acabam sendo construídos.

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