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Jornal Diário de Suzano - 30/09/2020
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SOUZA ARAUJO
ÚNICCO POÁ

Repertório da cantora Maria Bethânia é revisitado por artistas em show

29 JAN 2016 - 07h00

A baiana Mariene de Castro abriu o "Show de Verão" da Mangueira, à noite, com Mel (Caetano Veloso), A Dona do Raio e do Vento (Paulo César Pinheiro) e Oração pra Mãe Menininha (Dorival Caymmi), saudando a sua madrinha de santo. O baluarte Tantinho da Mangueira emendou com Maria Bethânia (Capiba) e Mora na Filosofia (Monsueto e Arnaldo Passos), para depois entrar Mart’nália, a quem couberam Baila Comigo (Rita Lee e Roberto de Carvalho), Último Desejo (Noel Rosa) e Sonho Meu (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho). A filha de Martinho da Vila fez graça ao contar: "Vocês sabiam que quando a Bethânia tinha 20 aninhos, ela gravou um disco incrível cantando Noel Rosa? Olha a Vila Isabel!".

Era o início de uma noite calcada na diversidade do repertório de Maria Bethânia, de sambas-canção e sacudidos, baladas, canções de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gonzaguinha, Roberto Carlos, interpretadas por nomes ligados diretamente ou não à agremiação no primeiro caso, Chico Buarque, Tantinho, Alcione e Rosemary; no segundo, Mariene, Mart’nália, Pretinho da Serrinha, Ângela Rô Rô, Sombrinha e a portuguesa Carminho. Todos cantaram de graça. Dois foram ovacionados: Chico, por ser Chico, e Carminho, por sua versão à flor da pele de Sangrando (Gonzaguinha), que compartilhou com Alcione.

Uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio, fundada em 1928, a Mangueira realiza esse show há 14 edições, para levantar recursos para seu desfile (estima-se que tenham entrado R$ 250 mil nos cofres verde-e-rosa). Este ano, deixou de lado as exaltações à própria história e se voltou à de Bethânia, a homenageada do enredo A Menina dos Olhos de Oyá, que trata de sua religiosidade e trajetória artística de 50 anos.

A grande estrela desses shows sempre foi o mangueirense Chico Buarque. O compositor é presença certa desde a primeira edição, em 1998, ano em que foi ele o enredo da escola, sagrada com ele campeã do carnaval. Desta vez, Chico, chamado ao palco por Alcione como "guri da Mangueira", "abriu" para Bethânia. Por duas músicas, Anos Dourados e Olhos nos Olhos, ele penou com problemas técnicos, que fizeram sua voz chegar muito baixa ao público. Sua expressão era de agonia.

Quando Bethânia entrou, tratou de parar tudo para que a falha fosse corrigida: "Eu não canto sem ouvir Chico nem morta!". Era o primeiro encontro no palco desde 2001, quando ela fez 35 anos de carreira no Canecão e ele foi uma das participações especiais.

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