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Jornal Diário de Suzano - 26/09/2020
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Romulo Fróes interpreta Nelson Cavaquinho

16 MAR 2016 - 08h00

Romulo Fróes só foi conhecer Nelson Cavaquinho na entrada dos 20 anos. Era o início da década de 1990, o último suspiro da descoberta musical sem auxílio da internet. A obra de Nelson Antônio da Silva era obscura, distante dos holofotes, diferentemente de outros sambistas, como Cartola. Diante das primeiras audições, o estranhamento. O estranho bom. "Nuno (Ramos, parceiro musical de Fróes daquela época até hoje), me entregou um CD ou um vinil", recorda-se o músico de 45 anos. Nunca havia ouvido algo "desagradável e defeituoso", conta. Ouviu Pode Sorrir e ficou embasbacado.

"Pode sorrir pra quem você quiser, pode até dizer que não me quer / Não precisa me humilhar", cantava Cavaquinho, aos ouvidos recém-chegados de Fróes. "Se você me der adeus não pense mais em mim / Que ficarei com Deus", sentencia, por fim. A finitude, a presença da morte, a melancolia do abandono e solidão, encaixados na crueza de voz e violão, expunham o melhor do carioca morto em 1986, aos 74 anos. E foram ao encontro do gosto do paulistano. "Como deixaram esse cara gravar, com essa voz e esse violão?", questionou na época "Eu nunca tinha ouvido algo tão desagradável, defeituoso, como aquilo. Tinha um jeito de tocar escondido. Com algo de blues. Só que os cantores de blues norte-americanos são absolutamente técnicos. O Nelson, não. É sujo, violento. Aquilo me encantou assim logo de cara."

A intersecção entre Cavaquinho e Fróes estava construída. E, mais de duas décadas depois, ganha uma versão definitiva. Ícone de uma música paulistana que não se prende a rótulos e cabrestos, Fróes fez sua espécie de "revisão autoral" da obra do sambista ao inserir 14 das canções assinadas pelo mestre em Rei Vadio, disco lançado pelo Selo Sesc, cujas apresentações de lançamento serão realizadas no próximo quinta e sexta no Sesc Vila Mariana.

Não que Cavaquinho fosse um estranho dentro da obra de Fróes. "Meus dois primeiros discos (Calado e Cão, de 2004 e 2006) eram de samba, digamos assim. No primeiro, cantei Noel Rosa, Ataulfo Alves. No segundo, tinha Cavaquinho e Batatinha", lembra ele. "Eu penso no Nelson Cavaquinho o tempo todo. Ele está ali como uma espécie de totem." A ideia de se fazer um disco inteiramente debruçado na obra do Rei Vadio, contudo, apareceu quando Fróes percebeu que em 2011, se estivesse vivo, Cavaquinho completaria 100 anos.

Precisou emplacar o disco de uma forma que não lhe é de praxe. Afinal, desta vez, precisaria pagar os direitos autorais para cada uma das 14 faixas - quando grava discos solos, ou com o projeto Passo Torto, por exemplo, o faz quase compulsivamente, sem a preocupação financeira. Tentou a sorte em editais, até mesmo com o próprio Selo Sesc, mas a chance nunca veio. A efeméride veio e foi embora. "Achei que não ia mais rolar", confessa Fróes. "Guardei a ideia intimamente. Ali, comigo, esperando uma nova chance."

E a ideia foi guardada até 2014, quando o próprio Sesc aceitou abraçar o projeto. "Encontrei uma outra efeméride", ele lembra. Neste ano, completam-se os 30 anos de morte. "Acho que faz mais sentido lembrar da morte do Nelson", brinca o músico.

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