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Jornal Diário de Suzano - 03/12/2020
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Veterano pintor, César Paternosto expõe a partir de hoje em São Paulo

12 SET 2015 - 08h00

Há cinco anos, uma crítica, ao entrar numa exposição do pintor argentino César Paternosto, ícone da abstração geométrica, hoje com 84 anos, constatou que o trabalho austero do artista projetava na sala uma impressão de vazio, desafiando a percepção do visitante. É provável que ela, num primeiro contato, tenha dirigido seu olhar apenas à parte frontal das telas, esquecendo que Paternosto propõe ao espectador um olhar oblíquo, ao pintar as laterais com cores vivas e deixar o espaço da frente em branco, como se fosse uma pausa numa partitura - a analogia é pertinente por se tratar de um artista que trabalha ouvindo música.

Na exposição que a Dan Galeria abre hoje, marcando os 50 anos de sua primeira mostra em Yale, Estados Unidos, país onde sua carreira decolou, o silêncio predomina, mas, apurando o ouvido, é possível ouvir uma composição serialista em que altura, duração, intensidade e timbre são definidos não por notas musicais, mas por sequências cromáticas. E é mesmo uma peça "musical" arrojada de um pintor que, nascido em 1931, em La Plata, partiu aos 26 anos para Nova York, onde viveu até 2004. Nesse ano, após expor num museu de Segóvia, Espanha, se apaixonou pela cidade e lá reside até hoje.

Amigo dos brasileiros que moraram em Nova York nos anos 1960 e 1970 - Rubens Gerchman, Lygia Clark, Hélio Oiticica -, Paternosto lamenta não ter conhecido o pintor neoconcreto mineiro Willys de Castro (1926-1988), que teria sido, sem dúvida, seu perfeito interlocutor. Há uma ligação estreita entre a "visão oblíqua" induzida pelas laterais pintadas de Paternosto e os "objetos ativos" inventados por Willys de Castro em 1959, que convidam o espectador a interagir com a pintura ao se mover de um lado para outro. A exemplo de Paternosto, o mineiro tinha ouvido apurado - e era um compositor experimental.

"Em 1969, pintei as laterais da tela pela primeira vez, isto é, dez anos depois de Willys de Castro, sem ter conhecimento da existência dos objetos ativos dele", conta Paternosto em entrevista sobre sua exposição, que tem como curadora a crítica Maria Alice Milliet.

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