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Wayne Shorter escreve carta aos jovens antes de chegar a São Paulo

22 MAR 2016 - 08h00

Sempre que o jazz colocou um novo ponto vermelho na linha do tempo, Wayne Shorter esteve lá. Sua onipresença como saxofonista dos grandes é inebriante. Nos anos 1950, esteve com o baterista Art Blakey e seu Jazz Messengers. Nos 60, integrou o segundo melhor time de Miles Davis, com o pianista Herbie Hancock, o baixista Ron Carter e o baterista Tony Willians. Nos 70, escreveu, com o tecladista austríaco Joe Zawinul, uma revolução de linguagem chamada Weather Report.

Hoje, aos 82 anos, Shorter se prepara para vir ao Brasil ao lado do pianista Herbie Hancock para um encontro único. A idade de Shorter e o alto preço de seus cachês tornam um revival desta noite quase improvável. Serão eles a cereja do brasiljazzfest, no próximo dia 30, na Sala São Paulo.

De sua casa, em Los Angeles, Shorter falou com a reportagem sobre a carta aos jovens artistas que escreveu recentemente, disse sobre seus conceitos humanistas de jazz e deu sua versão sobre o polêmico episódio do álbum fracassado que não gravou com Elis Regina.

O senhor acaba de escrever, junto com Herbie Hancock, uma carta endereçada aos jovens artistas do mundo. Por que decidiu fazer isso agora?

É um alerta. Muitos jovens parecem ter uma visão limitada da vida, não conhecem o passado, não sabem de história. E, se você não conhece sua história, vai repeti-la sem saber. Certa vez, eu vi um programa em que jovens brasileiros não sabiam quem era Antonio Carlos Jobim. Seria como perguntar aqui nos Estados Unidos quem é Humphrey Bogart. Eu posso ouvi-los dizer algo como "o que é uma máquina de escrever?" (risos).

O senhor escreve na carta que, antes de ser um bom músico, é importante ser um bom ser humano. Por quê?

Se você não souber nada sobre humanidade, sua música vai sempre representar algo superficial. Ela será usada apenas para fazer dinheiro e divertir as pessoas. E minha pergunta é: para que servem as coisas da vida? Muitas pessoas pensam que são seres humanos simplesmente porque nasceram. Não, ainda não! Eu diria que o ser humano é resultado de um processo interno que faz da vida uma aventura, eternamente. É nisso que penso quando eu toco música.

O mundo parece estar pior hoje do que nos anos 60 ou 70. Há mais radicalismos ideológicos, dilemas sociais, ódios. Como conseguir inspiração?

Sabe que Herbie Hancock e eu ensinamos algumas vezes na UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles). E uma pergunta que os alunos nos fazem frequentemente é: "No que vocês pensam quando escrevem ou tocam?" E eu respondo: bem, talvez você devesse pensar em como gostaria que o mundo fosse em algum futuro e tentar escrever sua música inspirado por esta ideia. Na música pop, os artistas não desejam garotas que eles não podem ter? Outros dizem: "Nós queremos aprender a improvisar como vocês". Eles querem uma fórmula de improvisação, não sabem o que é a improvisação e estão na universidade.

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