As clínicas e centros de vacinação estimam para março de 2021 a comercialização da vacina contra o novo coronavírus (Covid-19). De acordo com Valéria Riccio Genovezzi Fernandes, administradora do Centro de Vacinação de Suzano (Cevan), a expectativa é de que as vacinas americana e inglesa sejam disponibilizadas para os centros privados de imunização.
"Esperamos que a vacina esteja disponível para a rede privada em março de 2021. Ainda não temos como garantir com exatidão a data, mas a expectativa que temos até agora é essa", explica Valéria.
Ainda de acordo com a administradora, entre todas as vacinas que já estão em fase de teste, duas são as mais promissoras de serem aprovadas e comercializadas pelos centros. A vacina americana, realizada em parceria com a empresa alemã de biotecnologia BioNTech e a farmacêutica Pfizer, e a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.
Ainda assim, a profissional esclarece que vários fatores e protocolos precisam ser observados antes da venda da vacina pela rede privada. Segundo Valéria, a comercialização das vacinas importadas vai depender da balança comercial, da entrada da imunização no país, bem como da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Já em relação a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, Valéria explica que esta não deve chegar aos laboratórios privados do País. "Essa vacina, caso seja aprovada, deve ser disponibilizada na rede pública de saúde, e não deve ser comercializada para os centros de imunização", diz.
Fases de desenvolvimento da vacina
A aprovação de uma vacina deve passar por diversas etapas que exigem alto padrão de qualidade. Segundo a Anvisa, a fase inicial é chamada de exploratória ou laboratorial, restrita aos laboratórios. Nessa fase são avaliadas moléculas para a definição da melhor composição da vacina. Em seguida, na fase pré-clínica, testes em animais são realizados para comprovar os dados da fase um. Nesta etapa também é avaliada a segurança da vacina. Caso aprovada, o estudo então avança para a fase clínica, com a testagem em humanos.
Os ensaios clínicos servem para validar a relação de eficácia e segurança do medicamento. Dentro de dessa fase existem três etapas. Na primeira, a vacina é testada em pequenos grupos, onde são verificadas a segurança e a resposta imune do corpo. Na segunda, mais indivíduos são incluídos e, além da segurança do medicamento, a imunogenicidade, posologia e modo de administração também são avaliados. Na terceira e última fase, a vacina é administrada a uma grande quantidade de pessoas, normalmente milhares, para que seja demonstrada a sua eficácia e segurança, ou seja, que a vacina é capaz de proteger os indivíduos com o mínimo possível de reações adversas.