Com um total de 28 dias de campanha nas eleições, os principais candidatos à Presidência da República deixaram as dez cidades do Alto Tietê fora da agenda de visitas.
De acordo com as últimas pesquisas, o ex-presidente Lula (PT), o presidente Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) são os principais nomes na corrida eleitoral. Entre as dez cidades, nenhuma recebeu a presença dos candidatos.
Cientistas políticos ouvidos pelo DS explicaram a situação.
Olavo Arruda Câmara, advogado e especialista em política, explica que a ausência em si não é um problema e não observa como descrédito ou algo que faça perder credibilidade.
“A região é importante, mas a campanha deste ano está muito curta. Talvez falte convite e empenho das autoridades, como os prefeitos e candidatos a deputado estadual e federal”, explica Câmara.
O advogado destaca como a região carece de força política, com poucos representantes na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e no Congresso, e que isso fortaleceria a distribuição de agendas dos candidatos.
Fernando Ivo Antunes, cientista político e membro da Associação Brasileira de Ciência Política, comenta como a região tem uma importância estadual maior do que uma representatividade nacional.
“O Cinturão Verde, os polos industriais, o comércio forte, a proximidade com Litoral e com o aeroporto fazem do Alto Tietê uma região visada”, diz.
De acordo com Antunes, a região tem número de eleitores consideráveis. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), correspondentes ao mês de agosto, o Alto Tietê tem 1.221.164 eleitores.
“Bolsonaro já esteve em São José dos Campos, que é uma cidade polo no chamado Cone Leste Paulista. E para o PT (Partido dos Trabalhadores), a região não tem grandes lideranças com cargo”, diz Antunes.
Nas redes sociais, Lula e Simone Tebet são os candidatos que mais marcaram presença na “campanha de rua”.
Bolsonaro e Ciro Gomes contam com uma presença digital e algumas aparições em São Paulo.
Com as redes sociais, a antiga campanha de rua vai para dentro do celular. Segundo os especialistas, hoje os recursos são mais escassos e a agenda é mais curta, o que influencia no comparecimento nas cidades e torna a campanha digital intensa.
Para Antunes, a previsão é que até dia 2 de outubro, quando acontece o 1º turno das eleições, essa presença nas ruas se intensifique.