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Jornal Diário de Suzano - 04/08/2020
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Funcionalismo

Alto Tietê tem um servidor para cada 60,8 habitantes, aponta levantamento

As três cidades menos populosas da região têm a menor quantidade de habitantes por servidor

Por Daniel Marques - da região26 JUL 2020 - 13h00
Suzano tem 5.278 servidores públicos prestando serviço em diferentes órgãosFoto: Regiane Bento/DS
O Alto Tietê tem um servidor público para cada 60,8 habitantes em média. No total, 27.158 pessoas trabalham nas prefeituras da região, enquanto a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de 1.652.773 pessoas.
 
O comparativo entre a quantidade de servidores passada pelas dez prefeituras da região ao DS e a quantidade de habitantes, seguindo dados do IBGE em 2019, mostra que Guararema é a cidade que tem o menor número de habitantes por servidor: 33,2 para cada funcionário. Em seguida, aparece na lista Biritiba Mirim, com um servidor para cada 37,4 habitantes e Salesópolis, com um funcionário para apenas 38,6 pessoas.
 
Um detalhe importante é que estas são as três cidades menos populosas da região. Depois, na lista, vem Poá, com um servidor para 39,1 habitantes, quebrando uma sequência que, em tese, seria preenchida por Arujá (que tem um servidor para 41,5 habitantes) e Santa Isabel (um para cada 53,3). Poá, atualmente, é a quinta cidade mais populosa da região, enquanto Arujá é a sexta e Santa Isabel, a sétima.
 
Para o cientista político Eduardo Caldas, o número de habitantes por servidor nas cidades da região é bom, desde que os funcionários estejam desempenhando "atividades no fim", e não "atividades no meio". Trata-se de uma linguagem usada para definir servidores que trabalham na última função ou na função intermediária de determinado serviço à população.
 
"Depende de onde estes servidores estão. Não se faz uma boa política pública sem gente, mas elas precisam estar no lugar certo. Se você tem servidores na ponta, como professores em sala de aula, médicos e enfermeiros em hospitais e guardas nas ruas, há um serviço bem prestado. O que não pode é ter muitas pessoas nas funções de planejamento, meios e soluções", explicou o cientista.
 
Pode acontecer, ainda, de merendeiras, por exemplo, acabarem sendo realocadas dentro de suas funções por problemas de incapacidade, passando de uma atividade "da ponta" para uma "do meio". Por isso, é possível que o número de servidores de uma Prefeitura comece bom, mas termine ruim, mesmo com a quantidade de funcionários inalterada.
 
"É preciso ter muitos funcionários em atividade em sala de aula e hospitais, para ter um bom meio (pessoas que fazem planejamento). Também é necessário observar quantos servidores são terceirizados. Isso faz diferença. É preciso considerar quais atividades a Prefeitura assumiu para si", explicou.
 
Tecnologia
 
Para o cientista político Olavo Câmara, é necessário entender quais atendimentos são maiores nas cidades da região. Além disso, para ele, a tecnologia pode ter influenciado negativamente nos números dos municípios menos populosos. 
 
“É preciso saber em quais condições se encontra a cidade e que tipo de atendimento é maior, se é saúde, educação, etc. Mas a tecnologia pode influenciar, caso a cidade esteja atrasada ou avançada neste quesito. Às vezes, se você faz serviço manual, precisa de dez funcionários, enquanto um só pode fazer o serviço de dez. Hoje já tem até robô advogado. Ao invés de ter dez (pessoas), um só faz”, disse o cientista.
 
Com base nos números, as cidades menos populosas têm, então, uma quantidade menor de habitantes por servidor. Poá acaba se destacando negativamente diante de Arujá e Santa Isabel, já que supera as duas com a quinta maior população e tem um servidor para menos de 40 pessoas.
 
Mais habitantes por servidor
 
Mogi lidera a lista das cidades com maior quantidade de habitantes por servidor, com um funcionário público para cada 81 moradores da cidade. Em seguida vem Itaquá, com um servidor para 73,7 itaquaquecetubanos. Ferraz tem um funcionário para 67 habitantes e, Suzano, um para 56,3.
 
Nesta lista, Mogi tem 5.500 servidores, e Suzano, 5.278. Há uma diferença de 222 servidores entre as cidades, enquanto a diferença de população é de 148,2 mil.
 
Mogi é a cidade mais populosa, com 445,8 mil. Suzano é a terceira, com 297,6. Mesmo com a considerável diferença populacional entre os dois municípios e a pequena diferença na quantidade de servidores, o cientista diz que não há exagero de funcionários em nenhuma das prefeituras da região. 
 
“Considerando que o Ministério Público está de olho e fiscaliza tudo, creio que esteja dentro da normalidade. É possível que Mogi tenha menos servidores do que o normal e precise de mais. Na minha visão está dentro dos limites”, afirmou Câmara.

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