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ERICA ROMÃO

Clínica de Suzano é investigada pela Polícia por indicar remédio americano

10 NOV 2015 - 07h01

Uma clínica de Suzano é investigada pela Corregedoria-Geral da Administração (CGA) e pela Polícia Civil do Estado de São Paulo por indicar remédio de alto custo - não autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - a pacientes. Cada pílula custa em torno de R$ 3,8 mil. Agentes estiveram ontem na unidade suzanense e apreenderam documentos. A Vigilância de Suzano afirmou que a clínica está com o alvará em dia.

Pelo menos 18 médicos são investigados pela Corregedoria-Geral e pela Polícia por suspeita de receitar um remédio que não tem autorização e causar um prejuízo de R$ 40 milhões aos cofres públicos.

Segundo as investigações, os médicos recomendavam que pacientes com uma doença conhecida como hipercolesterolemia familiar homozigótica (quando há presença de níveis muito altos de colesterol no sangue) fossem tratados com o remédio Juxtapid, que é fabricado por um laboratório dos Estados Unidos.

Além de Suzano, foram cumpridos mais 14 mandados de busca e apreensão de prontuários médicos de 33 pacientes em São Paulo, São José dos Campos, Campinas, São Bento do Sapucaí, Pindamonhagaba e Lorena.

O que chamou a atenção da CGA foi o número elevado de pacientes que entraram com mandados de segurança na Justiça para receber gratuitamente o remédio da Secretaria de Estado da Saúde. Segundo a pasta, cada comprimido custa US$ 1 mil e é ilegal no País.

A investigação suspeita de que os médicos recebiam dinheiro do laboratório para recomendar os remédios aos pacientes sem necessidade. Em nota, o corregedor da CGA, Ivan Agostinho, disse que "a suspeita é de que os brasileiros estariam sendo usados como cobaias para que o medicamento seja aprovado nos Estados Unidos". "Por isso, vamos encaminhar a cópia do procedimento elaborado pela Corregedoria ao FBI (polícia federal americana) "

Segundo a polícia, liminares já foram cassadas pela Justiça que suspeitou do grande número de pedidos feitos sempre pelos mesmos médicos e com o mesmo tipo de diagnóstico.

Segundo as investigações, os pacientes assinaram documentos sem saber do conteúdo e deram autorização para a entrada dos mandados de segurança na Justiça para conseguir o medicamento. Eles eram convencidos de que o remédio era fornecido gratuitamente pelo Estado.

Alguns apresentaram efeitos colaterais como formigamento nas mãos e tontura. Em entrevista, o advogado do laboratório negou as acusações da investigação.

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