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Jornal Diário de Suzano - 01/10/2020
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Feiras concentram 79% de crianças em situação de trabalho infantil

23 FEV 2016 - 08h01

Cerca de 79% das crianças em situação de trabalho infantil, em Suzano, atuam em nas feiras livres. Outras 7% ficam em semáforos ou como flanelinhas. Os dados foram divulgados ontem durante a abertura oficial da campanha "Diga Não ao Trabalho Infantil", promovida pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, na Escola Municipal Vereador Waldemar, no Sesc. Alunos participaram da atividade, que vai contar com o apoio da Polícia Militar (PM), por meio de ações do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd). Durante o evento, também foi divulgado que a maior parte das crianças que realizam trabalho infantil são da cidade. A quantia chega a 72 pontos percentuais. Além disso, a região com maior número de casos apresentados é do Boa Vista (28%), seguido pelo Centro (19%), Palmeiras (17%) e Casa Branca (5%).

A secretária da pasta, Leonice Ramos Ferreira, esteve no local acompanhada do diretor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Walter Passagli; dos cabos da Polícia Militar, Janaina Serafim e Alessandro Augusto; e de representantes do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

As ações de combate ao trabalho infantil acontecem desde dezembro do ano passado, em parceria com os governos federal e estadual. Entre elas está a capacitação para profissionais que atuam na área da infância. De acordo com a secretária, os locais que recebem visitas são praças, feiras ao ar livre e ruas de Suzano. "Nosso trabalho é conscientizar toda população. Vamos mobilizar para que não continue o incentivo a essa prática", frisou Leonice. “O trabalho infantil compromete o desenvolvimento físico, psicológico e cultural de crianças e adolescentes; há casos resulta no abandono escolar. Especialmente em locais como semáforos e outros locais públicos, aumenta o risco para o aliciamento para tráfico e uso de drogas”.

Com as ações intensificadas, a coordenadora do Creas Renata Vieira contou que foi necessário aumentar o número de profissionais que atuam nessa área. "Somos quatro educadores sociais. Para a campanha de intensificação, contratamos mais quatro".

O processo é recebido por meio de demandas do Conselho Tutelar e Disque 100, que encaminha os casos para o Ministério Público (MP). Se confirmado o caso, a criança é encaminhada aos serviços de convivência do município e recebe acompanhamento. Não há risco de perda de guarda para esses casos.

A predominância de jovens do sexo masculino em trabalho em semáforos ou de flaninha é passado, de acordo com a cabo da PM, Janaina Serafim. Segundo ela, as abordagens policiais a essas crianças e adolescentes está praticamente equiparada. "Nós temos observado que na maior parte das vezes eles entram nessa vida por causa do consumo. Querem um tênis, celulares e óculos da moda. Por isso decidem pelo trabalho", revela.

PERFIL

O perfil levantado na pesquisa mostra ainda que 17% das crianças em situação de trabalho infantil são moradores de Itaquaquecetuba, 5% de Poá, 2% de Mauá e 2% de São Paulo. Para estes casos, o Conselho Tutelar do município de origem é informado.

Os dados revelam também que 76% dessas crianças e adolescentes não participam de atividades de lazer. Outra informação relevante da pesquisa é de que 63% da população suzanense é contrária a prática. Outros 35% dos entrevistados apóiam o trabalho infantil. A opinião pública (30%) não é favorável sendo trabalho que explore ou atrapalhe os estudos.

As idades das crianças abordadas na cidade compreendem 9 anos (9%), 10 anos (12%), 11 anos (9%), 12 anos (12%), 13 anos (17%), 14 anos (12%), 15 anos (17%) e 16 anos (7%). Conforme informações declaradas na pesquisa, 98% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil estão estudando e o trabalho exercido não é diário, um volume de 52% do universo entrevistado trabalha somente um dia na semana, aproximadamente seis horas por dia (43%).

Em 2014, a secretaria identificou 109 casos de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Sendo 59 casos em comércios e afins; 11 casos de crianças e adolescentes de outros municípios; 18 casos levantados pelas Organizações Sociais que realizam serviço de convivência e fortalecimento de vínculos e 21 casos levantados pela equipe de abordagem social.

TRABALHO INFANTIL

O que confira trabalho infantil é toda forma de ocupação, remunerada ou não, que priva crianças e adolescentes de experiências próprias de suas idades como a de brincar e estudar. O trabalho infantil impõe uma carga de responsabilidade desproporcional a faixa etária destes jovens, além disso, faz com que exerçam atividades inadequadas a sua estrutura física e psicológica colocando sua saúde e segurança em risco.

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