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Jornal Diário de Suzano - 15/01/2021
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Metalúrgicos de Suzano avaliam impactos do fechamento da Ford

Pedro Benites teme que decisão interfira ainda mais na cadeia de produção metalúrgica, trazendo efeitos para a economia

Por de Suzano13 JAN 2021 - 22h50
Benites comentou ontem fechamento da FordFoto: Arquivo/DS
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano, Pedro Benites, ficou surpreso e ao mesmo tempo indignado com a notícia de que a Ford vai encerrar a produção de carros no Brasil. Ele teme que a decisão interfira ainda mais na cadeia de produção metalúrgica, trazendo efeitos negativos para a economia de uma forma geral, como aumento do desemprego, que já é elevado em todo o País. Benites também ressalta que a empresa recebeu grandes subsídios ao longo das últimas décadas e não pode simplesmente deixar o País.
 
“É uma situação delicada. As montadoras são empresas de grande porte e mobilizam toda uma cadeia de fornecedores, incluindo fabricantes de auto-peças, empresas que fornecem refeições, uniformes, equipamentos de proteção. Temos dados que mostram que, para cada trabalhador demitido, outros 19 perdem o emprego dentro dessa cadeia produtiva. Mas a Ford simplesmente anunciou que vai embora do Brasil após receber incentivos dos Estados e da União, abandonando seus funcionários de uma hora para outra. Isso não está correto”, avaliou.
 
Benites lembra que a histórica fábrica de São Bernardo do Campo já havia sido fechada em 2019. Agora, com o encerramento das atividades das unidades de Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE), a situação se agravou ainda mais. “Como vão ficar todos esses trabalhadores dispensados, de todos os setores?”. Em Suzano, especificamente, não deve haver consequências diretas para as empresas de auto-peças, pois aquelas que produziam componentes para as fábricas de Ford, como de caminhões, por exemplo, já absorveram o impacto.
 
Como líder sindical, Benites entende que o mercado depende de vendas para se manter aquecido. O próprio anúncio da Ford mostra isso, informando que a empresa vinha registrando resultados negativos no Brasil há alguns anos. “Isso quer dizer que o volume de carros vendidos não era suficiente para arcar com os custos de produção em escala. Em países onde essa relação é melhor, ou seja, onde as pessoas conseguem consumir mais e comprar carros, certamente essa decisão não seria tomada”, disse.
 
Para Benites, o Governo Federal tem papel decisivo em casos como este. A geração de emprego e renda, assim como a valorização dos trabalhadores, não são bandeiras do atual governo e a decisão da Ford acaba mostrando que o Brasil está no caminho errado. “Basta ver as ações deste governo: a Reforma Trabalhista não combateu o desemprego e a Reforma Previdenciária limitou seriamente o direito à aposentadoria, desamparando milhares de pessoas na velhice. Temos uma massa cada vez maior de trabalhadores informais e os empregos com carteira assinada são raros”, observa.
 
O líder metalúrgico finaliza lembrando que a perda da Ford é apenas mais um sinal do fracasso das políticas econômicas deste governo, que deveria ter mantido um diálogo com a empresa, mas não fez e agora entra para a história como a administração que perdeu uma montadora depois de 101 anos de atividade no Brasil. “E a empresa também não agiu corretamente, ao simplesmente abandonar o País após décadas de lucro e de incentivos. Os trabalhadores foram os grandes prejudicados em toda esta história”, concluiu

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