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Jornal Diário de Suzano - 04/08/2020
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No Hospital Santa Maria, uma história de esperança na vitória contra a Covid

Especialista em treinamento de vendas conta que teve febre alta, mas venceu a doença

Por de Suzano31 JUL 2020 - 23h15
Sob emocionantes aplausos, Ricardo deixou o Santa Maria no dia 13Foto: Divulgação
Após 94 dias internado no Hospital Santa Maria de Suzano, Ricardo Lúcio Zuim teve motivos de sobra para comemorar, no início da semana, 50 anos de vida: venceu a Covid-19 e se transformou em exemplo de determinação e esperança para quem está acometido gravemente pela doença, seus familiares e profissionais da área de saúde.
 
O especialista em treinamento de vendas conta que teve febre alta uma semana antes de ser levado ao hospital, no dia 10 de abril. Passado este primeiro sintoma e ainda sem cuidados médicos, retornou às atividades do cotidiano, mas uma severa falta de ar deu o sinal de que era preciso uma investigação mais profunda sobre o caso.
 
Um dia depois da internação no quarto em ala específica para o enfrentamento ao novo coronavírus, o baixo índice de saturação de oxigênio e o agravamento de problemas pulmonares levaram os médicos ao difícil comunicado: a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Respiratória se faria indispensável.
 
"Foi um momento muito delicado. Sabia que seria sedado. Nunca perdi a vontade de viver. Sempre acreditei que iria sair daquela situação. Pensei muito na minha família", recorda-se Ricardo, sem imaginar exatamente os dias difíceis que ainda enfrentaria.
 
Mesmo com acompanhamento permanente de médicos e profissionais de equipes multidisciplinares do Hospital Santa Maria de Suzano, a doença evoluiu e comprometeu os rins do paciente, o que exigiu hemodiálise. 
 
Para piorar o quadro, o pulmão apresentava dificuldade de recuperação - uma união de fatos que levou a prognósticos absolutamente desanimadores e devidamente comunicados, mediante respaldo psicológico, aos familiares.
 
Ricardo ficou 56 dias em estado de coma e protagonizou alguns dos instantes mais emocionantes dos profissionais da instituição de saúde. Diariamente, eram-lhe apresentados áudios de orações e mensagens de estímulo gravados pela esposa Rosana, na mesma vibração positiva do casal de filhos (Mayara e Kauê).
 
Ele se recorda dos conteúdos? Garante que a voz da companheira era transportada em sonhos dos quais se lembra em detalhes: transformar-se-ia a mulher em uma enfermeira dedicada e permeada de otimismo diante de circunstâncias absolutamente adversas.
 
E vai além: "Fui visitar muitos amigos em várias regiões do Brasil. Eu me via dirigindo carro adaptado e em cadeira de rodas. A voz dela era sempre presente, uma companhia fundamental. Eu me recordo perfeitamente de todos os sonhos'', assegura Ricardo, que hoje retorna, aos poucos, à vida normal (livre, inclusive, de uma incômoda, porém necessária traqueostomia).
 
A fé refletida em evoluções ininterruptas de seu quadro clínico após sair do coma, aliada à estrutura de atendimento do hospital, era a constatação de que o desfecho seria positivo, conforme revela Ricardo, dono de bom-humor capaz de contagiar a todos da equipe da UTI. Um de seus primeiros pedidos, além do recorrente corte da barba, foi degustar um saboroso e tradicional lanche em Suzano, onde reside com a família. Sob emocionantes aplausos, Ricardo deixou o Hospital Santa Maria dia 13 de julho. Agora, em franco processo de total recuperação física e acolhido pelos familiares, completou meio século com a autoridade de quem pode dizer: "Jamais deixem de acreditar em si, na família e de ter fé em Deus". 

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