Envie seu vídeo(11) 97569-1373
terça 24 de novembro de 2020

Assine o Jornal impresso + Digital por menos de R$ 28 por mês, no plano anual.

Ler JornalAssine
Jornal Diário de Suzano - 24/11/2020
Reisinger Ferreira
PMMC NOVEMBRO AZUL
PMMC MULTI 2020 NOV
CENTRO MÉDICO CLUBE DS - TOPO
ERICA ROMÃO

Tokuzumi encerra carreira política e reconhece dificuldades para administrar

02 ABR 2016 - 08h00

Após dois mandatos como prefeito (1993-1996 e 2013-2016) e uma legislatura como vice do então prefeito Estevam Galvão (DEM), em 1989, Paulo Tokuzumi (PSDB), já está em clima de despedida. Ele anunciou há pouco tempo que não concorrerá ao cargo nas eleições deste ano, em outubro, e em entrevista ao DS nesta semana, afirmou que a vida política se encerrará em 31 de dezembro de 2016, quando termina o atual mandato. Entre os motivos revelados que o levaram a desistir da política está a vida pessoal, a empresa e a família. Mas a atual crise econômico-política que o País vive pode ser apontada como um dos motivos que o levaram a tomar esta decisão, que segundo ele, não trará arrependimentos.

Neste momento, ainda segundo o tucano, ele se sente satisfeito com o trabalho realizado à frente da administração municipal, pois "é fácil administrar com recursos. Eu peguei a Prefeitura endividada e depois uma crise enorme, mesmo assim consegui manter a folha de pagamento dos servidores e normalidade na gestão". Os compromissos do cotidiano, entre eles um encontro com o presidente da Câmara, Denis Claudio da Silva (DEM), Filho do Pedrinho do Mercado, rendem pouco tempo livre ao prefeito, que pôde conversar com a reportagem por cerca de 40 minutos. Entre os assuntos estavam às dificuldades financeiras da administração e do País, além dos projetos previstos para os próximos meses.

Diário de Suzano: Quais projetos estão previstos para Suzano?

Paulo Tokuzumi: Acredito que hoje o projeto de todos os administradores públicos é fazer uma boa gestão dos recursos para que conclua todos os projetos no final do ano. Ninguém fala em grandes obras porque os recursos são escassos e infelizmente vivemos uma crise no País que nos atinge de frente, principalmente as administrações municipais. Hoje existe pouco espaço para grandes projetos ou obras. Acho que todas as pessoas que saíram às ruas no último em 13 de março pediam que as pessoas fizessem uma gestão decente. Em Suzano tivemos as contas de 2013 aprovadas. Tecnicamente, as contas de 2014 estão perfeitas e as de 2015 também. Fazemos uma gestão em que a normalidade administrativa é o foco principal, pois neste momento não temos o direito de administrar o município fazendo política.

DS: Quais projetos importantes foram conquistados para Suzano neste mandato?

Tokuzumi: Hoje vivemos uma crise muito grande, crise econômica decorrente de crise política. Podemos citar as obras da alça do Rodoanel (Mario Covas), hospital público, segunda fase da obra da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), como algumas conquistas, mas este é um momento em que não se dá para contar com muita coisa. Há muita limitação.

DS: Como está o setor da saúde hoje?

Tokuzumi: Não podemos florear a situação. Ela está muito ruim em todo País. A falta de investimentos neste setor é a principal causa das deficiências. Tivemos um problema gravíssimo na Santa Casa de Suzano, esse problema foi contornado até agora, mas é uma situação grave, pois não podemos fazer investimentos. Em Suzano, investimos quase 26% do orçamento na saúde, enquanto a legislação prevê 15% e mesmo assim não é suficiente.

DS: A abertura do Hospital Estadual, prevista para julho, melhora a situação? Como está a questão do Hospital Regional?

Tokuzumi: A abertura do hospital muda alguma coisa, mas não será aquela maravilha de uma hora para outra. Fala-se da entrega para julho, mas falta comprar equipamentos e não vai resolver a questão da saúde rapidamente. Quanto ao Hospital Regional, temos o recurso que foi liberado, tentamos licitar a adequação do projeto, mas sabemos que a fase futura é o custeio. Por isso, se existisse dinheiro a questão da saúde melhoraria em todo País.

DS: Há novidades sobre a instalação do Ceagesp em Suzano?

Tokuzumi: Entregamos o projeto aos órgãos responsáveis e aguardamos um retorno. Suzano está bem localizada, perto do Rodoanel e futura alça de acesso, mas precisamos aguardar.

DS: Como está o desenvolvimento do Plano Diretor?

Tokuzumi: Houve um período onde tivemos que nos adequar à lei, mas agora temos uma nova readequação para fazer, mas estamos dentro da legalidade. Agora precisamos criar o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana (PDUI) e a partir dele readequar o plano municipal.

DS: Há previsão de obras de revitalização de vias nas principais ruas da cidade?

Tokuzumi: Temos algumas emendas liberadas para isso. As ruas Benjamim Constant, General Francisco Glicério e (Avenida) Francisco Marengo são algumas das beneficiadas. O início destes serviços acontecerá em breve, aguardamos o momento ideal para isso. Com estas obras haverá melhora em toda parte urbanística da área central.

DS: Há novidades sobre a construção da Via Mar, que ligará Suzano a Santos?

Tokuzumi: Neste período, que o País vive, este projeto como muitos outros foram recolhidos. É uma obra importante, que pode gerar muitos empregos para Suzano. Mas não há investimento para início de obras.

DS: Quais ações podem ser citadas como as mais importantes deste mandato?

Tokuzumi: Mais importante é a gestão de uma situação de déficit, passando por situação de crise. Nós estamos com os salários em dia e dentro de uma situação de normalidade.

DS: Se o senhor iniciasse hoje o mandato, faria alguma coisa diferente?

Tokuzumi: Não faria nada diferente, não tive opções. Peguei a Prefeitura endividada, com poucos recursos e depois uma crise. Até porque, mesmo com todas as dificuldades, tenho todas as contas aprovadas e o que deu para fazer foi o que eu fiz e não inventei novas situações para fazer política. Poderia ter atrasado salários e ter investido em obras, ter quebrado a Prefeitura, mas administrei com cautela. Fiz o que eu podia com os ingredientes que possuía.

DS: Como o senhor analisa o cenário político hoje?

Tokuzumi: Espero que os novos políticos tenham de forma clara que é preciso administrar, não dá para pensar em grandes obras, o dinheiro que temos só dá para o custeio e não dá para falar em grandes projetos. Hoje não existem recursos para isso. Neste cenário, que o próximo prefeito vai pegar, além do período de crise, déficits de receita e PIB (Produto Interno Bruto). Não vai haver repasses ou obras como no passado. Por isso, será preciso administrar.

DS: O que te levou a desistir da reeleição?

Tokuzumi: Tenho minha vida particular, conversei com minha família e preciso retomar minha vida. Acho bom o projeto de não ter reeleição. Quando se tem recursos é tranquilo e confortável administrar, mas em situação de crise, com a carência da população e falta de possibilidades de cumprir estas necessidades, é muito complicado. Neste ano apoiarei o candidato do PSBD e torço para que todos os candidatos tenham ética e seriedade.

DS: O senhor pode se arrepender desta decisão?

Tokuzumi: De maneira nenhuma. Me considero bem realizado na vida particular, com boa estrutura familiar e tenho certeza que a decisão que tomei é muito boa. A entrada de pessoas novas na política é muito boa e sadia, isso favorece a política, só espero que os novos políticos tenham responsabilidade no que foi formulado até agora. Continuarei morando em Suzano, assim como meus familiares. Se eu puder oferecer alguma ajuda farei isso, mas saio da vida pública, não serei candidato a mais nada após a conclusão do mandato em 31 de dezembro e não retorno mais a política. Continuarei sim na torcida pela cidade e gestão tranquila.

DS: Qual nota o senhor dá para o mandato?

Tokuzumi: Prefiro não dar uma nota porque ela é exata. Avalio a administração pelo que me dediquei e pela maneira como pude me dedicar. Vejo que consegui impor normalidade neste período. A situação de crise impôs condições de dificuldade e transferência de recursos e não foi por má gestão, mas dificuldades que hoje estamos nesta situação. Além da funcionalidade e normalidade dentro da administração, fiz a reposição dos salários dos funcionários e isso é muito positivo.

DS: Que mensagem o senhor deixa a população?

Tokuzumi: Suzano faz 67 anos de emancipação. Não fizemos o que esperávamos em relação a shows ou desfile cívico, dada a condições que temos. Então a celebração que teremos é bem simples, mas não deixamos de comemorar, uma vez que tivemos desenvolvimento e não retrocesso. Espero que esta crise acabe o mais rápido possível e a normalidade volte a reinar no País. Torço muito neste momento para que o Brasil encontre a saída para a crise e que ela traga rápido a possibilidade ao empresário e população de voltar a ter confiança no País. Espero que a cidade encontre o caminho do desenvolvimento para que retorne a população às demandas sociais necessárias.

Leia Também

Últimas Notícias

Ver Últimas Notícias