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Jornal Diário de Suzano - 17/01/2021
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Trens lotados deixam passageiros apreensivos com risco da Covid

Moradores da região precisam pegar trens lotados diariamente para trabalhar e estudar

Por Daniel Marques - de Suzano27 NOV 2020 - 22h06
Trens saem da região com destino às estações da Capital, construindo um cenário bastante contestado pelas autoridades sanitárias durante a pandemiaFoto: Daniel Marques/DS
Com a aproximação de uma possível segunda onda do novo coronavírus (Covid-19), a preocupação volta a tomar conta de moradores da região que precisam usar diariamente o transporte público para ir ao trabalho. 
 
Trens abarrotados de pessoas saem da região com destino às estações da Capital, construindo um cenário bastante contestado pelas autoridades sanitárias durante a pandemia, mas com poucas medidas realmente efetivas para solucionar o problema.
 
E a necessidade de sustentar a família acaba se sobrepondo ao medo do vírus. A máscara no rosto se torna a única proteção dentro de vagões com tantas pessoas desconhecidas. A recomendação – de manter ao menos um metro de distância do outro – é praticamente impossível de ser respeitada. E nem todos se preocupam com a própria proteção e a do próximo.
 
O DS circulou pela Linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na manhã da última sexta-feira (27) e, em pleno horário de pico (entre 7 e 8 horas), a reportagem flagrou diversas pessoas usando a máscara no queixo ou abaixo do nariz dentro das composições e nas estações. Isso ocorreu desde Suzano até a estação Corinthians Itaquera.
 
Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM) disse que tenta resolver o problema. Ela está com a Operação Monitorada desde o início da quarentena e o número de trens nas linhas é ampliado em horário de pico para “buscar evitar” aglomerações. Hoje, a média de demanda é de 53% em comparação com o normal, quando o sistema inteiro transporta cerca de dez milhões de passageiros por dia.
 
O isolamento social inexiste. Ao longo do trajeto, pessoas coladas umas nas outras sem opção de escolha. Algumas conversavam no celular ou com colegas próximos, enquanto outras até retiravam a máscara para comer. Eram tantas pessoas que mal dava para se locomover.
 
Rafael Neves Reis, 40, trabalha nos Correios, em Guaianases. Morador da Vila Urupês, em Suzano, ele diz que todos os dias vê pessoas sem máscaras dentro das composições. Pertencente ao grupo de risco da Covid-19, ele tem medo de contrair o vírus, mas não tem escolha: precisa trabalhar.
 
“Às vezes, observo que pessoas usam a máscara porque é obrigatório, mas tem gente no trem que tira depois. Tenho visto isso todo o dia. Sempre tem alguém sem máscara”, relata. “Tenho problemas respiratórios. Tenho medo, mas preciso enfrentar. Preciso trabalhar”.
 
Renata Silva tem 17 anos e mora no Jardim Vasconcelos, em Ferraz. Trabalha em um salão de beleza na Faria Lima que recebe idosos com frequência. Precisa trabalhar e, ao mesmo tempo, cuidar dos clientes. Assim como Reis, a adolescente está preocupada com a nova onda.
 
“É difícil evitar (o contágio, estando dentro do trem). Não tem como ficar distante das outras pessoas. O jeito é passar o álcool e usar a máscara. Fico preocupada, mas tenho que redobrar o cuidado, senão levo o vírus para eles”, diz.
 
E mesmo durante a pandemia, os trens nunca ficaram vazios. Pelo menos, é isso que diz a secretária Laís Araújo, 25. Moradora do Jardim Medina, em Poá, ela fala em trens “sempre lotados” quando pega para ir ao trabalho, em Alphaville. A preocupação aumenta, já que, na família, ela tem ao menos cinco pessoas que fazem parte do grupo de risco. 
 
“Durante a pandemia, os trens sempre ficaram cheios. Eu tenho medo. Porém, temos que trabalhar. Não há muito o que fazer. Tenho cinco pessoas grupo de risco na família, mas a gente se protege do jeito que pode”.
 
Já a projetista Thamires Cardoso, 25, que mora no Parque Maria Helena, em Suzano, diz que já teve casos de coronavírus na família. “Teve gente que pegou, mas ficou tudo bem. A gente se previne no trem, mas não tem muito jeito. Se tiver que pegar, vou pegar”, diz.

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