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Eduardo Caldas

Renovar a esperança

29 dezembro 2022 - 08h00 Por Gabriely Machado
Renovar a esperança

Em muitas ocasiões, fundamentalmente nos fechamentos de ciclos, como é o caso do final de ano, procuro renovar a esperança. 
Olhar para o retrovisor e avaliar o passado recente; olhar para a frente com projetos renovados mesmo que o cenário seja nebuloso e desafiador.
No plano internacional, a humanidade chegou a 8 bilhões de habitantes e as desigualdades de renda, consumo, condições de vida do contingente populacional aumentam. 
A guerra da Ucrânia e da Rússia se estende e se desdobra em ameaça nuclear, em crise energética e alimentar e contribui para o aumento geral do nível de preços na Europa e no mundo. E finalmente, a pandemia da COVID-19 chega no seu quarto ano. É verdade que a ciência, a tecnologia e a capacidade de gestão pública e privada colaboraram muito para a redução da intensidade da pandemia em tempo mais estreito que pandemias anteriores. Também é verdade que, a partir da COVID-19, a humanidade, de alguma forma, se olhou no espelho e se viu vulnerável diante de um vírus minúsculo e ainda assim pouco aprendeu em termos de sua relação com as outras espécies e com o meio em que vive.
No plano nacional, o destaque é a política, e mais especificamente a eleição presidencial. Encerra-se o ciclo de um governo perverso em termos de seu olhar sobre nossos concidadãos, de desprezo com o Estado e suas instituições; de descuido sobre uma crise sanitária mundial ocasionada pela COVID-19. Inicia-se o ciclo de um governo que, eleito em segundo turno, juntou as forças democráticas do país para derrotar o "mal maior". Agora será preciso reconstruir a burocracia estatal; redefinir as estratégias e prioridades considerando a questão ambiental e as desigualdades abissais que caracterizam o Brasil; colocar os pobres no orçamento público e ter a coragem de tributar os ricos.
E qual a relação desses planos internacional e nacional com nossa vida cotidiana? É muito grande. 
O faminto está cada vez mais próximo, o desempregado muitas vezes está em nossa casa. A apatia com a política e com a procura por soluções coletivas é cada vez mais quimérica. Por outro lado, as soluções do passado para reduzir as desigualdades entre nós, a fome recrudescente, a nossa relação perversa e descuidada com o meio em que vivemos e com nossos semelhantes não são suficientes e exigem mais reflexão, criatividade e prática renovadas. Por esses desafios e por essas exigências que é preciso renovar a esperança.