Parte da responsabilidade sobre nossa saúde está em nossas mãos. Responsabilizarmo-nos parcialmente pela nossa saúde não implica na substituição de um sistema público de saúde universal e acessível. A responsabilidade pessoal sobre a saúde pode ser, aliás, parte constitutiva da articulação dos sistemas de educação e saúde.
Um programa de cuidados básicos com a saúde na rede pública de ensino, pode por um lado articular equipamentos públicos de saúde e de educação e por outro lado garantir informações e processos de aprendizagem a partir de conteúdos escolares por meio de questões relacionadas com o meio ambiente em que vivemos (escolar, comunitário, municipal), água, poluição do ar, prevenção de acidentes no transito e em casa, produção e consumo de alimentos, calendário de vacinação, saúde bucal, leitura de dados epidemiológicos, dentre outros.
A leitura do livro "saúde no cotidiano: viver bem é preciso" do médico e professor Arnaldo Lichtenstein fez-me pensar em três cuidados fundamentais com a saúde para orientar a articulação entre educação e saúde: alimentação e hidratação; atividade física; e sono.
Sobre hidratação, a primeira recomendação é tomar água o suficiente. Não há uma quantidade fixa específica. As recomendações gerais são beber pelo menos 1 litro de água e urinar pelo menos 500 ml por dia (não prender a urina). Dica: a urina deve estar clara. Urina muito amarela é sinal de que não tem água suficiente no organismo.
Sobre alimentação, recomenda-se evitar qualquer gordura trans (margarinas, biscoitos amenteigados, dentre outros), excesso de carboidratos como arroz, batata, massas e pães não integrais, além de sal e açúcar; e moderar no consumo de gorduras saturadas (leite, manteiga, queijo, sorvete, carne vermelha e coco). Duas dicas de ouro que eu me esforço para seguir: comer devagar e fazer o prato no fogão sem direito de repetição.
O exercício físico, outro eixo fundamental para a vida saudável, é diferente de atividade física. A atividade é o que se faz arrumando a casa por exemplo; o exercício físico, por sua vez, é a atividade física com fim em si mesma. A recomendação é "fazer pelo menos 150 minutos de atividades de moderada intensidade por semana". Geralmente 3 vezes de 50 minutos por semana ou 5 vezes de 30 minutos. Pode variar, desde que a cada vez o mínimo seja de 15 minutos. Dicas: descer do ônibus um ou dois pontos antes; usar as escadas em vez de elevador ou escadas rolantes; deixar seu cachorro te levar para passear.
Sobre o sono, não há consenso sobre sua quantidade. Talvez, entre 6 e 8 horas. No limite deve-se dormir o suficiente, seja lá o que isso signifique. O sono que "começa com a diminuição da luminosidade e liberação da melatonina" e de outros hormônios é comumente chamado de restaurador ou reparador porque permite sintetizar muitas proteínas e, em comparação com um computador, apaga arquivos ruins e melhora a velocidade do aparelho.
Arnaldo Lichtenstein afirma que a noite mal dormida implica em sonolência diurna verificada pela escala de Epworth. Você cochila em alguma dessas situações? Sentado e lendo; assistindo TV; em reunião ou cinema; como passageiro em carro em viagem de uma hora; deitado para descansar à tarde; sentado conversando; sentado quieto após almoçar; no carro parado no trânsito? Para cada situação, pontue 0 se a probabilidade de cochilar for nula; 1 se for pequena; 2, moderada; 3, alta. Se o total passar de 11 pontos seu sono noturno não é bom.
O tripé de cuidados básicos com a saúde fundamentaria orientações de saúde em sala de aula e a articulação de "territórios saudáveis". Mesmo que, por enquanto, apenas quimera e utopia, pode nos auxiliar a repensar nossa prática cotidiana.