A agricultura urbana é um tema fascinante e seus estudiosos e praticantes geralmente enumeram a sua forma de organização ou sua funcionalidade.
Dentre as formas de organização tem as hortas institucionais (escolares e em unidades básicas de saúde), as hortas comunitárias (geralmente mais estruturadas e sob a responsabilidade de vizinhos), as hortas familiares (feitas em quintais domésticos), as hortas de guerrilha (organizadas em espaços públicos, mesmo pequenos, para denunciar o desperdício de terra na cidade frente à fome e à desnutrição).
Dentre as funcionalidades da agricultura urbana, destacam-se a econômica, visto que uma horta pode gerar emprego e renda ou pelo menos descomprimir o orçamento familiar uma vez que reduz despesas com hortifrúti; a ambiental, considerando que a horta aumenta a capilaridade do solo, permite uso de resíduos orgânicos em sua adubação, regenera a terra; a nutricional, dado que seus produtos são diversos e fonte de vitaminas e sais minerais; a contemplativa; a educativa; a terapêutica.
Recentemente conheci uma organização diferente de agricultura urbana, a chamada fazenda vertical. Trata-se de produção intensiva, geralmente sob a técnica da hidroponia, muita tecnologia, realizada dentro de casa, galpão ou edifício inteiro.
Ao vivo, conheci a Fazenda Cubo, em Pinheiros. Telefonei, combinei dia e horário, e me direcionei para lá. Conhecer uma Fazenda na zona Oeste de São Paulo. A Fazenda Cubo é uma "tripa" no meio do bairro de Pinheiros. Sua fachada é pequena (deve ter, no máximo, 5 metros) e certamente 30 metros de comprimento. Seu proprietário, o Paulo, é um engenheiro, muito conhecedor do mercado em que atua, estudioso da agricultura, apaixonado por tecnologia e entusiasta da sua fazenda. Como bom comerciante fala com conhecimento de causa de seus insumos, da tecnologia que utiliza, dos seus produtos, do seu mercado, do perfil dos fregueses e da sua equipe.
Cheguei e já fui convidado a guardar minha mochila, colocar touca e protetor de pés. O ambiente é limpo e muito controlado. Fiquei maravilhado: água circulando, ventilação, iluminação. As plantas suspensas em estantes.
A história da Fazenda Cubo começou em 2019. Em meados de 2020, ou seja, depois de um ano de estudos e investimentos, é iniciada a produção. Atualmente, são produzidos 600 Kg de verduras por mês. A produção é estruturada em estantes largas, cada qual com quatro prateleiras. Em cada prateleira tem dezenas de fileiras com 10 a 12 unidades de hortaliças. Por baixo de cada fileira de hortaliças, um sistema de circulação de água e de nutrientes (no modelo hidroponia); por cima, a disposição de lâmpadas LED minúsculas, organizadas entre brancas e azuis para facilitar o processo de fotossíntese das plantas. Além disso, há ventiladores controlados para manter a circulação do ar. Os detalhes, a declividade da prateleiras, a combinação de lâmpadas, as criações e adaptações feitas para aquele ambiente específico são detalhes que o Paulo explica com entusiasmo. Principal custo? Energia elétrica.
As pesquisas continuam. O desafio é reduzir o consumo de energia elétrica. Outro desafio é introduzir nutriente orgânico e fermentado no sistema hidropônico.
Gosto de conhecer esses sistemas de circulação de ar, água e nutrientes controlados, além da luz de LED e seus detalhes para incentivar a produção de fotossíntese. Oxalá, consigamos multiplicar essas experiências. Que as fazendas verticais complementem a agricultura urbana em suas muitas formas de organização. Que essas inovações, entretanto, não nos ceguem para o melhor aproveitamento da terra abundante, improdutiva e concentrada em nosso país, tanto no mundo rural quanto no mundo urbano.