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Jorge Lordello

Quanto pesa a mochila que o leitor vem carregando nas costas?

26 setembro 2018 - 02h59 Por Gabriely Machado
Quanto pesa a mochila que o  leitor vem carregando nas costas?
João estava na margem de um rio e queria passar para o outro lado. A correnteza era muito forte e seria impossível atravessá-lo a nado. Foi quando o rapaz viu uma pequena canoa presa na vegetação ribeirinha. Rapidamente colocou o bote n'água e pôs-se a remar para o outro lado. Com a ajuda da canoa, ele rapidamente atingiu a outra margem. Assim que botou os pés em terra firme, pegou a canoa, colocou-a nas costas e partiu em direção à floresta. Algumas pessoas que haviam observado toda a cena, ficaram espantados com aquela atitude inesperada de João. Eles foram e lhe perguntaram: "Por que você colocou a canoa nas costas? De que ela lhe servirá agora que você já atravessou o rio?" O rapaz então, já suado e cansado do esforço em carregar a embarcação nas costas, lhes respondeu: "Essa canoa me ajudou muito a atravessar o rio. Eu não posso abandoná-la. Espero que agora ela me ajude também a atravessar a floresta". Amigo leitor, será que estamos cometendo o mesmo erro de carregar no presente, acontecimentos que deveriam ficar lá atrás, no passado. Não me lembro do nome de um filme americano que assisti no cinema há mais de 30 anos onde um homem que era guia de viagem em região montanhosa, carregava nas costas uma grande mochila, com diversos equipamentos que poderiam supri-lo em uma eventual necessidade. O problema é que conforme os meses iam passando a bagagem ficava cada vez mais pesada até um dia que ele não conseguiu mais caminhar. Muita gente sofre do mesmo problema, ao guardar na mente sentimentos e lembranças que deveriam ser apagadas, esquecidas ou apenas servir de lição de vida, nada mais que isso. Não é nada inteligente gastar tanta energia com o passado que já se foi ou com o futuro que ainda não chegou e pode não chegar.