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Jorge Lordello

Gente que não consegue se desgrudar de um problema

03 julho 2019 - 02h59 Por Gabriely Machado
Gente que não consegue  se desgrudar de um problema
Como uma imensa serpente, na Índia, um trem deslizava pela planície nos arredores de uma pequena cidade. Vários homens compartilhavam um vagão, e como faltavam muitas horas para chegar ao destino, decidiram apagar as luzes para que o sono viesse com mais facilidade. Transcorreram alguns minutos e a maioria dos viajantes passou a dormir profundamente. De repente, uma voz que dizia: "Ai que sede que eu tenho! Ai que sede que eu tenho!", acordou a todos. A pessoa repetia essa frase insistentemente. Era um dos viajantes; e por não cessar de queixar-se de sua sede, impedia que os outros dormissem. Um dos passageiros, tremendamente irritado, se levantou, foi ao lavabo e trouxe-lhe um copo de água. 
O homem, sedento, bebeu-a com avidez. Outra vez apagaram as luzes. Os viajantes, reconfortados, dispuseram-se a dormir. Mas, minutos depois, a mesma voz de antes começou a dizer: "Ai, que sede que eu tinha, mas que sede que eu tinha!" Amigo leitor, qual conclusão tirar dessa singela estorinha? Na verdade, é preciso tomar cuidado para que nossa mente não enxergue problemas inexistentes ou simplesmente anabolise um aborrecimento fazendo-o parecer entrave por demais preocupante. Focar sistematicamente num problema só o fará aumentar de tamanho. É preciso mudar o ângulo de visão para buscar caminhos que levem à solução. Portanto, o segredo é focar na solução e não na dificuldade atual ou naquela que já não existe mais mas que ainda traz recordações que tiram a tranquilidade e o equilíbrio emocional.