Tempos atrás percebíamos que o ano estava chegando ao final quando os lançamentos de novos veículos apareciam em comerciais festivos, agora as campanhas publicitárias acabam dando a impressão que o ano finda muito mais rápido, passado o carnaval já se iniciam as promoções para Páscoa, são seguidas pelos festejos juninos... Nem bem sentimos o friozinho do inverno e já estamos falando em término de férias e aparecem as viagens para o feriado de setembro...
Acordamos para o final do ano em pleno início de primavera com as prateleiras ceias de brinquedos para o dia das crianças ao lado dos panetones que deveriam chegar só para o Natal...
Com isso ficamos com a sensação que o tempo vem acelerando gradativamente e que antigamente tudo era mais demorado...
Junte-se a essa aceleração a vida cibernética que temos hoje, com meios de comunicação na velocidade do som, que se propaga rapidamente. Resolvemos quase tudo na nossa vida, sentados à frente de um computador ou pelo celular.
Fazemos até declaração de amor, olhando para uma pequena lente de câmera fotográfica que carregamos para todos os lados e, que se tornou mais imprescindível que a companhia das pessoas que amamos. Por vezes até esquecemo-nos de nos despedir quando saímos e, quando lembramos mandamos uma mensagem rápida, como se assim pudéssemos ser perdoados pela falta de atenção.
Quando somos obrigados a perder algum tempo na fila do banco ou de algum órgão público é como penitência, tantas são as reclamações que se ouvem.
Ficaram no passado os encontros nas filas que proporcionava uma conversa alegre, uma aproximação com pessoas desconhecidas que acabavam tornando-se amigos importantes em nossa caminhada.
Hoje as amizades são virtuais, só nos conhecemos por fotografia e pelo que expomos de nosso cotidiano nas redes sociais.
Até o namoro ficou mais ágil, sem aquela necessidade de vigilância familiar no sofá... As juras de amor são trocadas pela internet, o encontro físico sempre pode esperar, afinal todos temos coisas mais importantes para fazer no dia a dia...
Assim com toda essa revolução nos costumes, o tempo parece render mais, mas também passa mais rápido para os nossos sentidos, que se cansa em ver as múltiplas atividades que nos envolvemos no decorrer do dia. O cansaço também é maior e o tempo de repouso fica mais curto.
Não sentamos mais com tranquilidade para apreciar um café à tarde, trocando ideias e fazendo planos. Não "perdemos" mais tempo olhando vitrines para encontrar um presente para alguém que queremos bem, eles nos são mostrados em quantidade na pequena tela do nosso celular e compramos sem ter nem mesmo sentido a textura do tecido ou a fragrância do perfume. Também não precisamos sair com o jornal na mão procurando casa ou apartamento para morar, basta um clique a uma série deles nos são mostrados e, acabamos negociando sem nem mesmo olhar como é o arredor e quem serão nossos vizinhos...