Na semana que passou falei sobre a advocacia e muitos podem ter acreditado que me esqueci da comemoração do dia dos professores... Não, não esqueci, mas entendi que nestes tempos turbulentos em que vemos tanta violência, tantos desmandos, tantas injustiças, devia falar na profissão que exerço há tanto tempo e de que tanto me orgulho.
Certo é que para chegar aos bancos universitários, galguei vários degraus de aprendizado, com professores dedicados, que teve minha mãe como primeira mestra e meu pai como preceptor atento que se preocupava com tudo que eu escrevia e me corrigia e estimulava me dando cadernos para elaborar meus diários e incentivava a leitura que já me encantava.
Nos bancos escolares professoras primárias sérias e dedicadas, que observavam e determinavam a minha busca pelo aprimoramento, premiando com medalhas as melhores notas da sala, fazendo com que o capricho e os melhores trabalhos fossem disputados entre todos os alunos, fazendo dessa maneira que houvesse integração constante e atenção a tudo que ali era ensinado.
Esse incentivo, apesar do rigor com que éramos tratados, nos fazia progredir na senda do saber.
Alguns mestres se sobressaíam no meu modo de ver e acabaram me acompanhando como amigos pela vida... Tive por elas muito carinho e gratidão.
Nos bancos universitários a disputa já não era mais só pelas melhores notas, mas pela melhor compreensão do que ali era ministrado, que nos serviria para nossas caminhadas, nas estradas da profissão escolhida.
Ali também ressalto o saber e a paciência dos mestres, que mesmo se dedicando aos seus próprios escritórios em parte do dia, se mantinham dispostos a nos ensinar, sem a preocupação que davam possibilidade de sair ali daqueles bancos escolares novos profissionais que disputariam o mesmo mercado de trabalho.
Enquanto professores se dedicavam com amor, valorando cada matéria, ensinando os segredos e os meandros de cada uma delas, para que um dia na prática pudéssemos ter um bom alicerce para prosseguir confiantes em nossa profissão...
Professor era uma profissão que se respeitava, eram valorizados pelos seus superiores, pelos governos que os remuneravam com salários dignos, pelos pais, que entregavam a eles seus filhos que ali receberiam as bases da cultura o do aperfeiçoamento, pois, a educação era ensinada em casa e se exigia seu cumprimento em qualquer lugar que estivéssemos.
Ser professor é uma profissão que exige muito do ser humano, não é fácil ter paciência com crianças agitadas que muitas vezes transtornam o ambiente, é necessário que se mantenha atento aos movimentos de todos os alunos, independente do número deles numa sala de aula, saber manter seus problemas pessoais guardados num cofre durante o período escolar, não permitindo que interfiram em sua atividade profissional, agir com discernimento, sabendo julgar todas as situações que ocorrem num curto espaço de tempo...
Profissão admirável, atualmente mal remunerada e incompreendida, que merece nosso respeito, pois, forma culturalmente novos cidadãos, que um dia conduzirão nosso país ciente de que devem muitos aos professores...