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Padre Carmine

Cidadãos e políticos

18 agosto 2017 - 09h00 Por Gabriely Machado
Cidadãos e políticos
O antigo povo romano marcou por séculos a história da humanidade. Quase todo o Ocidente conserva ainda hoje os traços da cultura, romana. A língua falada na maioria dos países europeus tem a sua origem na língua latina. As tradições familiares, artísticas, forenses, têm uma alma latina –romana. A Grécia antiga e a Roma antiga contribuíram decisivamente para a evolução da vida social de seus moradores.
Os gregos realizavam os encontros sociais para discutir, propor, julgar ou condenar, no espaço chamado “aerópago”. Os romanos realizavam tais encontros no “Forum” que servia tradicionalmente como mercado e era ponto de encontro de grande importância social e frequentemente era palco de diferentes atividades, incluindo discussões e debates políticos e reuniões.
Em torno do “ aeropogo” começaram a se instalar várias famílias para utilizar com mais rapidez os serviços sociais. Este território, habitado pelas famílias foi chamado de “polis” e seus moradores de “políticos”.
Em Roma aconteceu a mesma coisa. Em torno do “Forum” nasceu a “cívitas” que era um território ocupado por vária famílias romanas e os moradores eram chamados de cidadãos.
Cidadãos e políticos são duas palavras que indicam os mesmos sujeitos que moram no território chamado de polis ou de cidade. Se no lugar de cidadãos, nos chamássemos de políticos não se chegaria a sofrer aquela divisão e descontentamento entre cidadãos e políticos. Outro assunto são os políticos que passam a ser partidários.
Todos perceberiam que a responsabilidade do território não é apenas de um grupo político, mas de todos os cidadãos-políticos. É necessário resgatar o valor mais abrangente da palavra “Política” ou da cidade habitada por políticos. De consequência, no lugar de dizer há moradores do bem e moradores do mal, diríamos que no território onde moramos, no bairro, na periferia, no Centro, há vizinhos que são políticos (cidadãos) bons e há também os ruins.
A pessoa por natureza é um ser político.
A politicidade é uma exigência intransponível. O comportamento de cada morador deve ser voltado para uma correta cidadania ou correta política.
Não há como qualificar de “políticos” apenas algumas pessoas. Todos devemos saber ser bons políticos. Existem outras instâncias como as do Partido, do Legislativo e do Executivo que permitem aos cidadãos ou políticos convocar representantes que chegam a tomar democraticamente as decisões em benefício de toda a população.
A política deve marcar a vida de todos os moradores. Na Grécia os políticos tinham um grande amor pela “polis”. Em Roma, os cidadãos tinham um grande amor pela cidade.
Muitas vezes, a sociedade passa a ser lugar de conflito quando há políticos que visam ao bem da cidade e do bem comum e há membros de partido que visam a se manter no poder levando vantagem para si e para o partido.
A política que encarna a complexidade de tantos problemas pode ser voltada para a derrota ou para o triunfo da esperança.