De há muito o vinho me encanta. Não sou de beber grandes quantidades. Mas gosto de minha taça de vinho adequada a conversa e ao que beliscamos.
Tinha lá meus 17 aninhos quando minha família foi morar em Caxias do Sul. Já tinha descoberto o Jazz e estava encantado. Estudava em um Colégio Marista, onde cresci muito na construção da minha leitura do mundo. As missas ainda em latim, e com frequência com cantos gregorianos e clássicos. Como me agradava!
E descobri o vinho. Havia muitas cantinas na região. Fui aprendendo com jeito. Os vinhos dali, de então, era basicamente de uvas italianas e alemãs. Isso fazia diferença nacional. Na época comprava-se vinho em garrafões. No Sul se come feijão preto acompanhado de vinho. Do mesmo modo o churrasco gaúcho. No resto do Brasil, ordinariamente, feijoada e churrasco são acompanhados prioritariamente por cerveja.
Estou me organizando para a escrita de um livro sobre vinhos. Queria relatar um pouco da história da presença do vinho em nossas terras suzanenses. O cultivo da uva para vinho em especial, bem como de sua industrialização. Infelizmente muito disso está se perdendo. É pouco preservado o que se sabe em especial das Famílias Raffo e Mazza, por exemplo. Mas temos outros casos, outras ocorrências, ainda mais dispersadas.
Estou preparando este trabalho com o meu muito querido amigo-irmão o Arquiteto e Enófilo (e sei que lá no fundo o que domina já o faz um Enólogo) Josué de Magalhães, que mantém o especialíssimo Empório ArqVinhos, em Suzano, que não apenas revende vinhos dedicadamente, mas outras bebidas e iguarias sedutoras. Vamos chegar lá! Estamos no caminho. Queremos algo que facilite a vida de quem quer saber algo mais. Aliás, ele está preparando para o mês que vem um Curso de Vinhos, coisa mágica. É pra correr, não são tantas vagas assim.
E foi pensando nisso tudo que trago para meus queridos leitores estes versos, publicados em livro (So Close/Tão Perto, 2014) já longe no tempo:
“Vinho!”
“um abraço um beijo um aperto de mão/ o importante sempre fica na conversa amiga//
a entrada a salada a carne o peixe/ para entreter o arroz ou a batata/ a fruta ou o doce e o queijo depois/ há tanto para aprender//
venha você que sabe o gosto/ que detém na boca todo o saber/ dê-me as mãos quentes/ vamos reter no tempo o prazer//
o vinho verte pelas mãos/ no cristal se retorce rubro no bojo/ uma onda curva se arrebenta/ não há como estancar na taça/ o fermento do sangue da uva/ na boca a pura satisfação degusta/ que mais sei eu?/ dos vinhos é reter o buquê mais fino/ uns trazem o tanino mais duro/ outros chegam qual veludo macios//
passar agora no reduto à baforada/ calem-se os castos discursos/ que sabem eles do agrado/ que emana suave de um doce charuto?//
sentir depois na língua o duplo enlevo/ do castanho Armagnac ou da Cachaça pura/
o Montecristo ou o Bahia meio maduro/ à sombra de uma doce melodia/ Dave Brubeck ou Zimbo ou Coleman Hawkins/ há tanto por ser verso/ deixe que o resto é vento”
Verdade, não fumo mais os tais charutos. Mas o resto é lindo verso!