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Levanta, Sacode a Poeira...

24 março 2018 - 04h00 Por Gabriely Machado
Está me incomodando muito o jeito que os brasileiros estão vivenciando os tempos de agora. Preocupa e muito! Especialmente por que estamos num ano de eleições. 
É como um demonstrativo de perda de esperança.
Claro que vejo as ações de políticos. Mas vejo muitos processos. Claro que estou vendo os assassinatos, mas vejo as manifestações. Claro que vejo as bobagens ditas em altas esferas, desiquilibrando alguns que ainda creem que autoridades com muitos cursos devem ser mais estáveis, controladas e informadas. Mas ainda vejo muitas denúncias e buscas por correções de erros.
Sei que tudo não vai mudar de uma só vez, não será mesmo. Mas o processo está esboçando seu futuro transformador.
Aos setenta anos acredito num futuro melhor. Somos lentos no nosso aprendizado, mas aprendemos, gente!
Quando meu filho deu sinal de chegada, me preparei para acompanhar minha mulher naquela especial experiência. Ela estava controlada. Eu, preocupado. A bolsa rompeu de manhã bem cedo. Fomos ao hospital. Tínhamos de esperar melhores condições para o parto normal. Estávamos fora do Brasil, uma cirurgia só em absolutamente último caso. Pois foi só a noite que isso aconteceu, doze horas depois. E assisti o nascimento. É muito impactante! Vários amigos meus já haviam desmaiado assistindo os partos de seus filhos. Não queria atrapalhar. E consegui me controlar. Estava muito atento, mas tentando não ser chato.
Depois foi a limpeza do bebê. O cuidado com a mãe. A ida para o quarto com o bebê ao lado da mãe. E pude ir embora pra casa sozinho. Precisaria fazer mil declarações para a mãe e o bebê saírem do hospital em menos de dez dias.
Naquela noite fora do hospital me dei conta de que o mundo havia mudado para mim. Eu usava há muitos anos uma pulseira de aço com a inscrição: “Delenda”. Palavra retirado do latim do cidadão romano Catão, “Delenda Carthago est” (algo como “Cartago deve ser Destruída”). Não imaginava que se poderia começar um mundo novo sem destruir o antigo. Antes entendia que seria preciso uma revolução para melhorar o nosso mundo fosse como fosse. Ao ver o nascimento do meu filho aprendi, como se recebesse um murro na cara, é verdade, não seria preciso destruir tudo o que havia. Poderíamos aproveitar umas tantas e tantas coisas. Assim, “uma reforma bem feita pode sempre melhorar o nosso mundo”. Ainda que por vezes ela se faça bem lenta.
Tirei a pulseira. Lancei-a na grama do jardim por onde passava. E me afastei dali. Nunca desisti desse ato de desapego. Tinha aprendido fortemente um nova lição.
Nunca mais voltei atrás do que aprendi naquela noite.
Temos de ter esperança. Temos de fazer a nossa parte. Teremos de passar por experiências fortes, talvez, mas poderemos avançar na melhoria do que desejamos. Por que o radicalismo? A extrema esquerda como a extrema direita não podem ser mais autorizadas em nosso convívio. Temos de ocupar o centro, equilibrados na estabilidade da Democracia. Podemos isso conseguir. Temos de mostrar, de demonstrar, isso. Podemos.