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Suami Paula de Azevedo

Minha Cidade

07 abril 2018 - 03h59 Por Gabriely Machado
Minha Cidade
Meus amigos mais antigos sabem, como filho de oficial do Exército, morei em muitas partes desse Brasil imenso. E aprendi muito com isso. Pré-Escola em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Alfabetização em Salvador, Bahia, Ensino Fundamental I, no Rio de Janeiro e em Juiz de Fora, Minas Gerais, Fundamental II, em São Paulo e Santos, Ensino Médio em Porto Alegre e São Paulo, Faculdade... pelo mundo. Formei muitas amizades por aí. Sempre fui muito brasileiro. E sei que nunca deixarei de ser. Mas só quando me estabeleci em Suzano senti que me firmava na “minha cidade”. São quase cinquenta anos.
Fui querendo saber tudo de Suzano. E fui escrevendo. Saíram os três primeiros livros da História Local, primeiro foi com “Suzano – Estrada Real”, de 1994; depois foi “O Povo Mirambava”, de 1997, e após o “Retratos de Suzano”, de 2004. Sei que fiz importantes descobertas sobre a nossa formação histórica. Escrevi e publiquei outros trabalhos, como a História da Santa Casa de Suzano e a História da Educação em Suzano. E uns outros tantos. Representando a Cidade recebi alguns prêmios importantes, no estado de São Paulo, no Brasil e no Exterior. Então, tenho de agradecer o orgulho que aprendi, que adquiri, que assumi. Sou susanense!
Em 2012 publiquei no meu livro de poesia “Aprendiz de Encantamento” o poema “Minha Cidade”. Onde sou mais realista, não ignoro os fatos sofridos por Suzano nessa última década e tal. Dedico ao “Povo Manh’wara”, que é a forma tupi-guarani de “Mirambava”, que era a gente que vivia nessa região, hoje central, e que significa “aqueles que comiam guara-itas, uns caranguejinhos do rio Guaió, que inundava essa área.
“uma cidade pode ter sua paisagem/ rica de morros e de cores/ de ruas e de rios//
“ou pode mesmo ser pobrinha/ de tanta gente que não lhe quer/ só na busca do que lhe renda//
“pode uma cidade subir/ pelas plácidas colinas urbanas/ adormecida em blocos descorados/ para acordar os dias cinzas/ e recolher-se em meio às noites/ quem sabe esconder-se na neblina//
“tem esta um rio descuidado/ serpeante pelo vale/ em femininas generosas curvas/ uma encruzilhada de entradas/ que se abrem caminhos pelo campo/ que foi um dia dos manh’waras//
“uma cidade pode ser uma casa/ como esta minha/ ter quartos/ corredores/ quintal/ até jardim//
“de algum modo/ com todo o coração/ estes braços/ e umas tantas ideias que achei/ ajudei a erguê-la do chão//
“não estava sozinho/ nunca se está/ dentro de uma vila/ que será sempre minha e sua/ será nossa/ mesmo que não queira/ ou não saiba//
“queria muito/ que um pouquinho todos dessem/ as suas mãos solidárias/ como um carinho/ que lhe estamos a dever//
“uma cidade não é aquela sua imagem/ frio desenho de elevadas arquiteturas/ flutuantes em meio à fumaça fabricada/ como se fria bruma pelos montes/
“uma cidade é a sua gente/ a gente que nos faz o tempo/ a gente que lhe ilumina os versos/ que lhe faz em poesia”.
A nossa Vila está envelhecendo. Temos, todos nós, de cuidar dela.