Minha Mãe já se foi. Deixou-me muitas doces marcas e suaves lembranças que ainda cultivo em mim. Outros tempos! O que dela me ficou nunca deixarei partir. São carinhos, sinais de atenção, reparos. Assim também as chamadas ante atitudes minhas, inadequadas. Ela não me deixava desistir de nada. Especialmente na escola. ”Vai, retoma, recomeça. Você vai conseguir”.
Um exemplo. Modelo de pessoa. Encanta-me rememorar.
Sei que não sou tão diferente dos demais. A grande maioria de nós tem suas marcas maternas e as retém. E sempre amei ver tais exemplos ao longo da minha vida. Vida que hoje vai se exibindo como meio longa, mas que persisto, como aprendi a não desistir, em sempre continuar. Mesmo frente a dissabores, a gente passa por eles. Então, que venham. Logo se vão.
Vi e vejo bons exemplos de mães por aí, pelo mundo, pelos tantos espaços em que circulei e vivenciei, pelas tantas culturas e costumes que presenciei. Alguns desses exemplos, com imensa sabedoria, que também tiveram contribuição pela idade já vivida pelo modelo materno. Mas também tive, e tenho, a sorte de ver a sensibilidade se exibir em mães até bem jovens. Como saber se seguindo exemplos de seus próprios modelos maternos? Como saber se já construindo seus modelos erguidos pela própria sensibilidade?
Lindo!
Pois, também tive a felicidade ao receber a meu lado um modelo de mãe, que também, desde muito cedo, já dava exemplos superiores de indicações do bom caminho escolhido. A minha parceira, sempre soube muito bem escolher seus percursos e encantar-me ante as minhas próprias opções e escolhas que fui fazendo pelos tempos percorridos, nas condições mais diversas, até mais adversas.
Ela acatou minhas posições, tendo as suas próprias. Como não respeitar sua dignidade? Mais do que isso, além do amor a ela que me encantava, tinha uma enorme admiração por aquela menina com suas firmes posições, já lá nos tempos de nossa juventude. Daqui a pouco fará meio século.
Mesmo desenvolvendo seu Mestrado na Sorbonne, ela me ofereceu a possibilidade de ter um filho. E se dispôs a ser mãe. Ter filhos no Exterior não é coisa tão simples, destaco no caso de sermos estrangeiros. Em especial se não temos a presença física dos nossos próprios pais. A minha parceira tudo enfrentou com muita vontade e destemor. E fomos adiante. O menino chegou por completo. Foi tudo em um percurso muito feliz. E avançamos. Com creche necessária, posto que tínhamos compromissos de trabalho e universitários.
Depois de voltarmos, mais um filho se ofereceu. Foi lindamente recebida, agora uma menina. E mais uma vez tudo em novo encantamento. Estávamos nos preparando para um almoço, era meu aniversário. E chegou o lindo presente que me podia brindar.
As crianças cresceram, tornaram-se adultos, pessoas dignas, profissionais de destaque em suas áreas. Sempre acompanhados pelo carinhoso e atento olhar materno. Sei que são uma expressão de amor, que a minha parceira sempre garantiu. Um orgulho partilhar. Os filhos lhe cumprimentam. Permitam-me também homenagear o seu mérito.