Mexendo nuns papeis antigos, acabei encontrando uns textos antigos. Esse era lá do final do ano de 2009. Fiquei pensando na coincidência do tema tratado com agora, a proximidade das festas às crianças. Lá estava o poema “Meus Anos”. Fui relendo com calma de meus tempos de há muito passados. Lá estava uma retomada. Seria igual para todos?
“no meu tempo de criança/ meu pai dizia num jeito/ que até hoje não esqueço/ e ainda valem para mim/ ao completar os meus anos/ sem saber de outras coisas/ não havia dinheiro nem mal/ havia sempre nova alegria/ além da vontade dos doces/ aquelas risadas amigas/ as corridas sem fim no quintal//”.
Sei lá se pelo nosso tamanho, éramos tão pequenos, o mundo era muito maior. E nos contentávamos com muito menos. E gostávamos muito, tanto, dos doces que nos ofereciam, fossem em que época fossem. Sempre muito bom. Todo dia era “nosso dia”. E quão bom era correr. Não acabava esse tal.
“no meu tempo de criança/ ao chegar a manhã da Páscoa/ percorríamos toda a casa/
em busca dos ovinhos do Coelho/ que sempre depois de achados/ repartimos em lambuzadas//”.
Tínhamos umas épocas especiais. Aquela do coelhinho era magistral. E muito doce nos assumia. Mas exigia uma busca. Mesmo que um achasse mais que outro, colocávamos na cesta e depois repartíamos. Era envolvente.
“no meu tempo de criança/ depois que acabava o ano da Escola/ tinha que esperar o dia da ceia/ muito além da meia-noite/ era um tempo tão tarde/ que antes nos derrubava o sono/ os mais velhos rezavam e riam/ nossos sapatos iam à janela/ na manhã seguinte o Natal nos acordava/ trazido por Papai Noel/ no seu carro de presentes/ e jurávamos!/ em sonho todos vimos/ mas era preciso pedir desculpas/ pelas faltas já esquecidas do ano//”.
O ano escolar demorava muito. Gostávamos da escola, encontrávamos os amigos, as professoras eram sempre gentis. Era uma tarefa agradável, gostoso de passar e repassar. Mas parecia que havia sempre mais coisas a fazer. Tinha os amigos da nossa rua. Os brinquedos também eram gostosos. E que saboroso era o Natal. Tinha sempre mais presentes e mais doces. Mas era muito tarde. Ninguém aguentava tanto tempo acordado. Mas na manhã seguinte era a brincadeira logo cedo. Que continuava. E vinham brinquedos que desejávamos. Será que a gente havia dito? O Papai Noel, devia ser muito atento a tudo, ele sempre adivinhava. E se não vinha aquele que queríamos, vi nha um outro bem envolvente.
Era um tempo de gloriosas alegrias. Muitas risadas, muitas brincadeiras por todo o longo dos dias. As vezes a gente caia, doía. Chorávamos um pouco. Mas voltava a alegria.
“no meu tempo de criança/ nem lembrava das tristezas/ elas duravam tão menos/ hoje cortamos de tal maneira/ os encantamentos da infância/ e todos nós sabemos/ nenhum adulto melhor será/ se perder seus anos de pequeno//”.
Você guarda no seu peito aquelas alegrias dentro de você mesmo? Era um tão doce encantamento!
“por isso guardo no meu peito/ as lembranças perfumadas em poesia/ no meu tempo de criança”.