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Suami Paula de Azevedo

Meus Anos

27 outubro 2018 - 03h20 Por Gabriely Machado
Meus Anos
Mexendo nuns papeis antigos, acabei encontrando uns textos antigos. Esse era lá do final do ano de 2009. Fiquei pensando na coincidência do tema tratado com agora, a proximidade das festas às crianças. Lá estava o poema “Meus Anos”. Fui relendo com calma de meus tempos de há muito passados. Lá estava uma retomada. Seria igual para todos?
“no meu tempo de criança/ meu pai dizia num jeito/ que até hoje não esqueço/ e ainda valem para mim/ ao completar os meus anos/ sem saber de outras coisas/ não havia dinheiro nem mal/ havia sempre nova alegria/ além da vontade dos doces/ aquelas risadas amigas/ as corridas sem fim no quintal//”.
Sei lá se pelo nosso tamanho, éramos tão pequenos, o mundo era muito maior. E nos contentávamos com muito menos. E gostávamos muito, tanto, dos doces que nos ofereciam, fossem em que época fossem. Sempre muito bom. Todo dia era “nosso dia”. E quão bom era correr. Não acabava esse tal.
“no meu tempo de criança/ ao chegar a manhã da Páscoa/ percorríamos toda a casa/
em busca dos ovinhos do Coelho/ que sempre depois de achados/ repartimos em lambuzadas//”.
Tínhamos umas épocas especiais. Aquela do coelhinho era magistral. E muito doce nos assumia. Mas exigia uma busca. Mesmo que um achasse mais que outro, colocávamos na cesta e depois repartíamos. Era envolvente.
“no meu tempo de criança/ depois que acabava o ano da Escola/ tinha que esperar o dia da ceia/ muito além da meia-noite/ era um tempo tão tarde/ que antes nos derrubava o sono/ os mais velhos rezavam e riam/ nossos sapatos iam à janela/ na manhã seguinte o Natal nos acordava/ trazido por Papai Noel/ no seu carro de presentes/ e jurávamos!/ em sonho todos vimos/ mas era preciso pedir desculpas/ pelas faltas já esquecidas do ano//”.
O ano escolar demorava muito. Gostávamos da escola, encontrávamos os amigos, as professoras eram sempre gentis. Era uma tarefa agradável, gostoso de passar e repassar. Mas parecia que havia sempre mais coisas a fazer. Tinha os amigos da nossa rua. Os brinquedos também eram gostosos. E que saboroso era o Natal. Tinha sempre mais presentes e mais doces. Mas era muito tarde. Ninguém aguentava tanto tempo acordado. Mas na manhã seguinte era a brincadeira logo cedo. Que continuava. E vinham brinquedos que desejávamos. Será que a gente havia dito? O Papai Noel, devia ser muito atento a tudo, ele sempre adivinhava. E se não vinha aquele que queríamos, vi nha um outro bem envolvente.
Era um tempo de gloriosas alegrias. Muitas risadas, muitas brincadeiras por todo o longo dos dias. As vezes a gente caia, doía. Chorávamos um pouco. Mas voltava a alegria.
“no meu tempo de criança/ nem lembrava das tristezas/ elas duravam tão menos/ hoje cortamos de tal maneira/ os encantamentos da infância/ e todos nós sabemos/ nenhum adulto melhor será/ se perder seus anos de pequeno//”.
Você guarda no seu peito aquelas alegrias dentro de você mesmo? Era um tão doce encantamento!
“por isso guardo no meu peito/ as lembranças perfumadas em poesia/ no meu tempo de criança”.