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Suami Paula de Azevedo

Comunicação

22 agosto 2020 - 02h59 Por Gabriely Machado
Comunicação
Temos de pensar em nos encontrar. Mesmo que não seja plenamente presencial, os encontros têm de ocorrer entre as pessoas. Seja em casa, ainda mais especialmente, com a família, como entre os amigos, os profissionais, e outras tantas relações que mantemos e queremos ou devemos preservar. E a coisa vai além.
Fiquei pensando no processo em que se faz a comunicação, que é uma relação entre os seres. Se a gente ficar lá na exclusividade da comunicação por palavras seremos muito restritos. A comunicação se faz por mais variadas maneiras. Usamos gestos, sons, movimentos faciais, uau! Tem muito jeito de repassarmos algo a outro. 
Perdemos a Mel, uma dachshund marronzinha clara, aos 14 anos. Sempre nos foi importante. Tinha destaque. Vazio. De repente nos propuseram uma tomba-lata branquinha e meio peludinha. Sabe-se lá o que nos aproxima. Vimos e nos ligamos. Pula muito. É a Pipoca. Adotada, chegou antes dos três meses, com 2,5 kg. Agora já está um bebê com cinco meses e 10 kg. Está vacinada e começou a passear. Ela é muito infantil e gosta de exigir, quer brincar. É coisa da idade e do seu jeito, claro. As crianças vão testando. Nós é que temos de ir educando, passando a nossa maneira de viver. Leva seu tempo. 
Aí pensei, como dizia, na comunicação. Comecei a estudar isso, Linguística, faz uns 50 anos. Aí víamos o processo se dar. Tinha o tal "emissor", aquele que dizia algo, que chamamos de "mensagem". Quem recebe a recebe é o tal de "receptor". E o que se espera é que o receptor nos dê um sinal qualquer de retorno. Mas que não será só por palavras. Temos tantas maneiras de dizer algo muito além da forma verbal. 
E por aí surgiram novas áreas, como a Semiótica, pois a gente usa gestos e tantos outros sinais para nos relacionarmos com os demais. Assim é com a Pipoca. Assim é com netos, filhos, amigos, vizinhos e por aí vamos. Você está entendendo o pedido de seu filho? Entendeu a sua própria necessidade? Quer dizer, você se sente ligado no mundo? E você está ligando para conversar com seus amigos, seus parentes? Ou só liga para delivery? 
E como está a comunicação com os demais de sua casa? Não estão criando nenhum estresse? Ninguém se mostra irritado? Claro que sabemos que é difícil ficar "amontoado" - para usar uma expressão que me disseram dia desses. É um momento tão especial este que vivemos agora em isolamento. E muitas pessoas se recusam a aceitá-lo, como se pudesse recusar também. É imposição, sim! Higiênica, coisa de necessidade sanitária, de saúde. Difícil de entender? Sabemos. 
Então o melhor é mesmo completar a comunicação, isto é: ouvir o que o outro tem a dizer, e dar uma resposta. Trocar manifestações com os demais não é exagero, é necessidade entre pessoas, entre seres. É relacionamento. Será que ele precisa de algo, que posso dar? 
Como seres humanos, precisamos, não só dizer a nossa parte, mas ouvir a reação do outro. É isso que nos expressa. Intercâmbio, troca. E pode nos salvar. Distancia física não impede as relações, ainda que com seus limites. Comunicação é humanidade