Esta semana saiu o resultado da 5ª edição da pesquisa sobre leituras no Brasil. Coisa bem interessante e importante. Iniciaram nessa busca por 2001, pela CBL e Snel, com apoio da BRACELPA. Em 2007, na 2ª edição, sobre quatro anos, já pelo Instituto Pró-Livro, IPL, com o Ibope Inteligência. Seguem metodologias internacionais, até para comparação com estudos da Unesco, em vários países, agora, com o apoio do Itaú Cultural.
Temos alguns estudos sérios sobre a leitura em nosso País e livros, como o significativo "A Formação da Leitura no Brasil", de Marisa Lajolo com Regina Zilberman.
Quando consideramos alguns números sobre leitores, parecem coisa distante. Por exemplo, sabemos que desde o início do século XX tínhamos 76,4% da nossa população em estado de analfabeto. Melhoramos? Certamente. Mas não o possível e necessário ao merecido desenvolvimento nacional, nem formamos mão-de-obra suficiente e qualificada.
Faltam dados mais aprofundados sobre a nossa realidade educacional, as suas condições e as causas de seus deficits. O que dificulta sobremaneira encontrarmos soluções possíveis. Poderíamos iniciar destacando a baixa valorização dos professores brasileiros, suas precárias formações iniciais e continuadas, além de remunerações precárias que lhes impossibilitam alterar suas próprias situações de vida e de trabalho. Sem fortes investimentos nessa linha, nada alcançaremos adiante. E, sabemos, desde muitos anos, nada está planejado, nada está previsto para alterarmos tal situação.
Resultados dessa pesquisa sobre leitura indicam que baques significativos ocorreram de 2015 a 2019. Houve uma redução de 4,6 milhões de leitores de livros, passamos de 56% para 52% da nossa população. Desse número, 82% dizem que gostariam de ter lido mais. E 47% dizem que não leram por falta de tempo.
A internet ampliou muito o seu alcance. Em 2015 atingia 47%, agora afeta diretamente 62% da nossa gente. E a WhatsApp passou de 43% a 62%. Enquanto permaneceu igual o tempo livre usado para a leitura de livros: 24%.
Imagine-se o efeito da presença real em nosso País dos "analfabetos funcionais", aquelas pessoas que são capazes de ler um texto, mas não conseguem entendê-lo. Esse número permanece ainda sendo de 3 em cada 10 brasileiros. Uma realidade trágica a exigir um projeto amplamente planejado para acabarmos com essa triste e impactante situação. E agora cortam receita da Educação...
Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) a pouco exibidos mostram um aproveitamento melhor das crianças cursando o Ensino Fundamental I, sejam nos anos iniciais como nos finais, mesmo que não sejam brilhantes. A seguir, no Fundamental II e no Ensino Médio, esses números decaem bem.
Alguns autores são destaques, Machado de Assis, Lobato, Augusto Cury, J. K. Rowling e Agatha Christie. A Bíblia continua o livro mais lido. Católicos a leem menos que evangélicos, mas houve também queda, de 42%, em 2015, para 35%, em 2019.
Repito, temos de ter políticas públicas para atacar este problema. Educação!