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Suami Paula de Azevedo

Natal é Caminho

19 dezembro 2020 - 08h00 Por Gabriely Machado
Natal é Caminho

Claro, estava revendo, repensando o presente ano, um dos mais difíceis, talvez o top em problemas que enfrentamos, nós com consciência da pandemia. Sei que tem gente que nem está aí. Mas vamos adiante. Com toda complexidade temos de nos projetar ao que vem, logo.
E agradeço, pelo muito que temos esperança de realizar, pelos amigos que conseguimos conquistar, pelo reconhecimento que temos, pela nossa família. 
Não será fácil para a maioria, mas temos de insistir em melhorar. Nosso País tem chance. Tudo o que produzimos dividido pela nossa população mostra apenas que temos uma das piores distribuições de renda entre países do nosso nível, com gente muito rica e gente miserável. Nossa Educação é tão mal feita que excluímos mais que agregamos. O gasto público, que é soma das despesas de municípios, estados e união, é absurdamente grande, o chamado "Custo Brasil". Os impostos são dos maiores do mundo, chegamos a trabalhar quase cinco meses para sustentar governos, e o retorno em benefícios são muito pequenos. 
Nossa taxa de corrupção é monumental, que parte da população ainda vê como "normal", e que só aumenta o Custo Brasil. Começa de leve a ser contestada pela classe média, que paga tudo em dobro, sem receber de volta. Paga saúde pública e paga plano de saúde particular, paga educação pública e paga escola particular, paga transporte público e usa carro particular e assim vai. Milionários pagam menos.
Temos um Estado de Direito Democrático, como diz a Constituição, contudo os três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, com honrosas exceções, tendem a trabalhar mais para os seus próprios agentes, que se posicionam pelo mando de autoridades, como "superiores" aos cidadãos, do que para o benefício da sociedade. E autoridades ficam impunes diante da Lei, que ninguém deve tentar mudar, ou tem condições privilegiadas para julgamento. Veja a Reforma Administrativa com seus protegidos.
Alguns dos nossos cidadãos, com mais escolaridade, muito lentamente, começam a questionar tais situações, mas ainda sem saber como fazer para alterar tal quadro. Tecnicamente, daqui a uma geração, cerca de vinte anos, com políticas públicas convenientes, poderíamos, talvez, mudar essa situação. 
Sabemos todos que Educação é fator de mudança, mesmo sendo tão demorado, mas como pretender outro modo numa Democracia? Ainda somos envolvidos pelos discursos, "ganha quem fala melhor". E as promessas se agigantam. Mesmo que não se tenha feito nada é só dizer que se fez o máximo, o melhor. Aqui ainda vence o bom discurso.
Sabemos que tem gente se aproveitando da pandemia. Mas não fazemos tudo, mesmo se necessário punir alguns. Economia e Vida não se opõem, se dependem, tem de andar juntas no possível. Cuidemos! 
Precisamos investir em Educação Pública de qualidade, formação e equipamentos. Está evidente ser preciso investir em gestão dos gastos públicos, em transparência, e explicitação das aplicações. Isso leva tempo, mas temos de iniciar. 
Sim, atuemos e acreditemos na Esperança. É nosso Caminho.
Que o Natal nos traga Luz!