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Suami Paula de Azevedo

Outono do Brasil

17 abril 2021 - 08h00 Por Gabriely Machado
Outono do Brasil
Alguns já me chamaram umas tantas vezes de sonhador. Nem me importei. Tenho os meus sonhos, mesmo, sei disso. Um deles, como falei vários anos atrás, é o de ver a Primavera raiar no Brasil sobre toda a nossa sociedade. E todos nós vermos o florescer colorido e alegre nos corações das pessoas. Raiando sobre a nossa gente que, de fato, entenderia o que estivesse ocorrendo. Que saberia mesmo como se ocupar de suas tarefas, responsavelmente, que teriam a ver com o nosso País e a nossa gente. 
Sei o quanto de Educação, de qualidade imprescindível, seria preciso oferecer a tanta gente, claro. Sei o quanto de Cultura, do passado, do presente e em busca de um futuro melhor, seria necessário. Desde o conhecimento generalizado de nossa formação, o que levaria ao domínio sensível de nossa autoestima, de todo o orgulho de nossas origens, da consciência do que estamos vivendo e o quanto podemos intervir, bem como o tanto que desejamos transformar a nossa Terra para vivermos com satisfação ainda maior e melhor a nossa existência. Como sei também que reduziríamos as posturas de negativismo, de vandalismo.
Cada um sabe de si, cada um deve saber do quanto contribuiu para a realização desses sonhos seus. Até para que não sejam apenas quimeras, coisas irrealizáveis. Podemos nos enganar em nossas escolhas? Sem dúvida alguma. É claro que podemos tropeçar em projeções estratégicas erradas, em táticas equivocadas. Mas quem deixa de sonhar, não vive bem. E quem deixa de lutar, concretamente, por seus sonhos, vive pior ainda. Quem assim se situa não transforma, nem a si, nem ninguém, nem nada. Os sonhos nos iluminam o caminho.
Não acredito em quem não se bate por um mundo melhor. Desejar uma vida melhor para as pessoas só passa a ser mera fantasia, quando se mostra um absurdo real, quando não é parte de uma luta de vontade de realização. Quero dizer que não acredito em sonhos sem busca de resultados, isso é apenas fantasia. Ou se trata apenas de uma busca de satisfação individual, pessoal, sem qualquer visão, sem qualquer anseio para o alargamento da abrangência coletiva. Isso é como almejar ser uma pessoa rica, com muito dinheiro, muitas posses. Quando esquecemos dos demais deixamos de sonhar, o nome disso é apenas ambição.
Gostaria, sim, de ver meus sonhos frutificarem já a partir deste Outono. Sabemos que vivemos um momento diferenciado. Mas jamais podemos perder nossa Esperança. Já tínhamos muito, muito mesmo, a fazer antes do mal vivido agora, que nos sobrecarrega. Vamos vencer, precisamos de tempo e de vontade, de sonho e de planejamento. Se cada um contribuir com seu modo chegamos lá. 
Dentro de pouco mais de um ano chegaremos a completar dois séculos de independência política. Não há que se falar de independência econômica nos tempos de hoje. Mas há que se buscar autonomia político-econômica, sim. Talvez não estejamos tratando bem disso tudo. Precisamos talvez repensar o que queremos e o que sonhamos e o tanto que lutamos por nossos sonhos.