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Jornal Diário de Suzano - 21/04/2021
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A dimensão ideológica de nossas opções cotidianas

11 AGO 2016 - 08h00

eduardo caldas corA maioria das pessoas que resolve andar de bicicleta o faz em parte por uma questão econômica, em parte por praticidade, em parte por liberdade em suas necessidades de deslocamento. O uso da bicicleta para muita gente não é propriamente uma opção ideológica não.

O mesmo ocorre com relação ao consumo de carne. Muita gente come carne por costume, por tradição familiar, por inércia, por comodidade, por não saber fazer pratos criativos com grãos, sementes, hortaliças e tantos outros ingredientes. A redução do consumo de carne para muita gente também não é propriamente uma opção ideológica.

Percebe-se, então, que muitas opções relacionadas com o nosso cotidiano como a forma de deslocamento e o cardápio diário é feita por comodidade e nem sempre se faz a reflexão sobre o impacto político dessas opções.

Andar de trem, de transporte público coletivo, e fundamentalmente de bicicleta ou a pé pelas ruas são opções antagônicas à preferência dada ao "reizinho de quatro rodas", ou seja, ao automóvel individual e privado, que consome parcela importante tanto dos orçamentos familiares quanto dos orçamentos públicos, seja para sua manutenção seja para a construção de vias para o seu deslocamento.

De acordo com relatório das Nações Unidas, 70% da espécie humana estarão vivendo em cidades até 2050. A maioria das cidades é planejada e organizada para deslocamentos por meio de automóveis particulares.

Raramente vê-se calçadas largas, calçadões, bicicletários e ciclovias e ciclofaixas integradas a estações de veículos leves sobre trilhos.

Do mesmo modo, a opção alimentar pela carne implica em valorizar as grandes áreas de produção, o excessivo consumo de água desde o nascimento até o abate de um boi.

Segundo Washington Novaes, produzir um quilo de carne bovina exige, ao longo do ciclo de vida do boi, aproximadamente 15 mil litros de água. Além disso, o consumo de carne, exige cada vez mais áreas para a criação, o que implica muitas vezes em desmatamento, desertificação e extinção de espécies (oriundas de áreas desmatadas), além de aumento da emissão dos gases de efeito estufa. Atualmente há, no Brasil, 210 milhões de cabeças de gado em 160 milhões de hectares de pastagens.

Por outro lado, ao reduzir o consumo de carne, cada um de nós se permite ampliar o repertório alimentar individual e cada indivíduo ganha a oportunidade de aumentar o consumo de feijões (leguminosas), frutas, cereais, legumes, sementes e verduras.

Do ponto de vista cultural, quanto o poder público tem feito para estimular, em termos de deslocamento nas cidades a substituição do automóvel pela bicicleta e pelo caminhar? Da mesma forma, ainda do ponto de vista cultural, quanto o poder público tem feito para estimular a redução do consumo de carne e, ao mesmo tempo, a ampliação da produção e do consumo de produtos agroecológicos?

Essas duas questões estão diretamente relacionadas com o nosso cotidiano e sobre elas o poder público local pode exercer incrível influência.

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