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Jornal Diário de Suzano - 25/09/2020
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A esperança equilibrista

10 NOV 2015 - 07h00

eduardo caldas corBetinho - a esperança equilibrista - é um documentário de 2015 dirigido por Victor Lopes. Trata-se de uma homenagem ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, irmão do Henfil e do Mário, respectivamente cartunista e músico. Betinho já estava imortalizado nos versos da música "O bêbado e o equilibrista" de João Bosco, reconhecida como Hino da Anistia e interpretada por Elis Regina: "Meu Brasil! / Que sonha com a volta do irmão do Henfil / Com tanta gente que partiu / Num rabo de foguete".

No documentário, em depoimento do próprio Betinho, sua vida foi uma sucessão de "sortes": lutou contra a hemofilia desde o nascimento em Bocaiúva (MG) em 1935, ficou tuberculoso aos quinze anos (quando a tuberculose não tinha cura) e safou-se dela três anos mais tarde, sobreviveu às ditaduras do Brasil e do Chile, ao exílio, à clandestinidade e, na ocasião do depoimento, lutava contra a AIDS contraída na transfusão de sangue. Betinho morreu em 1997, vítima das complicações da AIDS, assim como seus irmãos Henfil (1944-1988) e Chico Mário (1948-1988). Betinho inicia sua militância na adolescência, como membro da Ação Católica, mais tarde Ação Popular.

O documentário me traz lembranças. Lembro dos livros do Henfil na Livraria Musiculturalem Suzano e do Pasquim onde eram publicadas as tiras do "Fradim", da "Graúna" e tantas outras. Lembro também de quando, influenciado pelo Betinho e por Dom Mauro Morelli, o então vereador Paulo Caldas propôs e viu aprovada a Lei que criou o Conselho Municipal de Merenda (Alimentação Escolar).

O documentário reafirma as esperanças. Betinho certa vez disse que tinha convicção na superação da AIDS como superou a tuberculose. A tuberculose não tinha cura e Betinho ficou enclausurado no quarto dos fundos de sua casa para não transmitir a doença aos outros da família. Três anos de espera e de esperança, quase se desenganando até que se descobre a cura para a enfermidade. Essa experiência alimentou sua esperança na cura da AIDS.

O documentário, ao rever a história do Betinho, revê a história recente do país: em 1964, Betinho era líder estudantil, foi para a clandestinidade, perseguido, exilado. Voltou para o Brasil, em 1979, após a promulgação da Lei da Anistia (Lei 6.683/79), fundou o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) com o objetivo de facilitar o acesso do povo à informação, liderou a Campanha pela Reforma Agrária nos anos 80, discutiu o comércio e a regulamentação das doações de sangue, propôs a formação dos bancos de sangue no país como política pública, fez campanha contra a AIDS, foi ativistana campanha pela Ética na Política na ocasião do impeachment de Collor, liderou a Ação da Cidadania Contra a Fome, contra a Miséria e Pela Vida. Foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz e homenageado pela Escola de Samba Império Serrano.

Betinho acreditou em campanhas e na organização da sociedade civil. Seu método foi a reivindicação-ação. Reivindicação para garantir do governo direitos ao povo e ação para demonstrará sociedade e ao governo que é possível fazer mudanças.

Finalmente, o documentário mostra a aposta permanente de Betinho na organização da sociedade. Aposta de que a sociedade organizada é fundamental para garantir a manutenção e a ampliação das conquistas populares.

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