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Jornal Diário de Suzano - 27/09/2020
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A Festa do Carnaval

05 FEV 2016 - 07h00

carmineDurante o verão escaldante acontece o carnaval. Nenhum país inventou para si uma tradição tão esperada e gloriosa como o carnaval do Brasil. Alguns ficam intrigados com o desperdiço de recursos, de dinheiro e de tempo, diante de um evento que imobiliza o país. Outros acham o espetáculo do sambódromo, das avenidas e das praças, delirante, arrebatador e estrondoso. Concluídas as férias, o povo permanece na expectativa do carnaval e outras reservas serão gastas. Parece que este evento foi fabricado pelos homens do poder, da economia, das multinacionais. É bem provável que seja assim. De fato, são eles que acionam o botão para o povo entrar no circo e se divertir. O povo que vive de esperança, deixa de lado no carnaval a esperança original da luta pela igualdade, pela justiça e contra a corrupção, resolve dar uma parada aos seus anseios mais nobres, para dançar, se contorcer, gritar, cantar a noite inteira até a alvorada. Os tambores e os batuques invadem as cidades. De noite até madrugada eles ficam no ar, com a esperança que nenhum gesto de violência perturbe o clima de alegria. Sempre, porém, nos dias de carnaval há pessoas que passam de uma delirante alegria a uma repentina ação de agressão e morte. O povo é assim: sonha, luta, suspira, vive de encantos e desencantos, de esperanças reprimidas e como se isso não bastasse, muitas vezes transforma o carnaval num evento de dor e sofrimento por tantas famílias. É conveniente ver o povo o povo baixar o seu olhar sobre os fatos políticos e esquecer as desgraças causadas pelos homens da ganância e do poder.

O carnaval do Brasil seria um ótimo indicador de país de primeiro mundo, se o povo tivesse políticas públicas que favorecessem a saúde, a educação e a segurança.

Enquanto o povo aplaude a magnificência do aparato carnavalesco, a mídia espalha o espetáculo pelo mundo inteiro que se surpreende diante deste cenário de evidente e grande explosão. O carnaval e o futebol batem no coração do povo, quase representam o desabafo do pobre que apesar do sofrimento, não perde o jeito de ser feliz. De onde o povo atinge esta reserva bendita para resistir a tão triste realidade da vida suportando a falta de recursos e de políticas públicas?

Se diverte e chora, luta e nada acontece. É um processo vicioso, carregado de tensões, de contradições e de frustrações.

O mapa das avenidas, os sambódromos não mostram a vida real dos brasileiros. O barulho dos tambores e tamborins cobre o grito dos excluídos, dos que vivem sem casa, sem recursos, sem atendimento médico. Tudo espanta, tudo surpreende, sobretudo o fato de que o povo aguenta a barra a cada dia e faz brilhar também o sol da alegria. As Escolas de samba estão aí, vibrando já para sair e para dar espetáculo. E quando o Brasil está de olho no carnaval ou no futebol desliga-se de tudo, para matar a saudade destas duas paixões nacionais, para depois seguir vivendo e continuar lutando.

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