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Jornal Diário de Suzano - 01/10/2020
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ÚNICCO POÁ

Agrotóxico e políticas públicas municipais

04 AGO 2016 - 08h00

eduardo caldas corSegundo Washington Novaes (Estadão, 08/07/2016), o Brasil é o líder mundial no uso de agrotóxicos e ainda isenta ou reduz o produtor do pagamento de impostos como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), PIS/Cofins, dentre outros.

Morangos vermelhinhos e variedades verdinhas de espinafre podem ter doses altas de resíduos químicos. Muito do que se produz de frutas, verduras e legumes são borrifados com pesticidas banidos de muitos países no mundo há anos.

Muitos dos pesticidas ainda permitidos em outros países tiveram seu consumo aumentado em 93% nos últimos dez anos; no Brasil, o aumento foi de 190%.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 28% das substâncias usadas por aqui não são autorizadas. Na mesma toada, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) afirma que 70% dos alimentos in natura consumidos no Brasil estão "contaminados" por agrotóxicos.

Pouco mudou ao longo dos últimos 5 anos. Retomei aos filmes "O Veneno está na Mesa" (2011) e "O Veneno está na Mesa II" (2014), ambos do cineasta Sílvio Tendler, nos quais denuncia o excesso de consumo de agrotóxicos no Brasil. Em 2009, segundo a ANVISA, das 3130 amostras de alimentos coletados em 26 estados, 29% apresentaram resultados insatisfatórios, além dos teores máximos de agrotóxicos permitidos: na beterraba, 32%; tomate, 33%; alface, 38%; mamão, 39%; abacaxi, 44%; couve, 44%; morango, 51%; pepino, 55%; uva, 56%; e pimentão, 80%.

Todo esse veneno contamina a água e o solo. Então mesmo quem não os usa acaba se contaminando se for vizinho de um usuário.

Neste contexto, são importantes as ações globais de órgãos como a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS); ações nacionais da ANVISA e do Congresso Nacional, bem como dos grupos que pertenceram ao extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário; dos movimentos e das campanhas da sociedade civil como a "Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida"; e fundamentais as ações locais que favorecem a construção de circuitos curtos de produção; e que incentivam e informam na defesa de uma alimentação saudável e agroecológica. Em última instância o agricultor familiar agroecológico é um prestador de serviço de saúde e também um prestador de serviço ambiental.

A valorização da produção local e agroecológica de alimento é um fator importante para a redução da demanda por agrotóxico. Não se trata de luta fácil; mas é uma luta que precisa ser iniciada e ficar bem marcada nessas eleições municipais.

Assim, as perguntas que não quer calar: o que o seu candidato a prefeito propõe em termos de valorização da área rural? O que ele propõe em termos de valorização da produção familiar e da produção agroecológica? O que ele propõe me termos de agricultura urbana? O que ele propõe em termos de articulação da questão rural com as questões ambientais, de trabalho e rende, de saúde e de educação?

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