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Jornal Diário de Suzano - 01/10/2020
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ÚNICCO POÁ

Andejo

21 NOV 2015 - 07h00

suami-cor_A palavra "andejo", expressão preciosa por seu raro uso no Brasil, foi a escolha do Poeta Roberto Cavenatti para título de seu mais recente livro de poemas. Pode-se recorrer a um dicionário, dos mais completos, para ter seu significado: "aquele que anda muito; que não para em casa; que não fica em lugar algum; que não tem constância, desvairado, versátil, errante...". Seria por aí, por essa amplitude de significados, ou por outra, por essa restrição de significados, que o Poeta escolheu essa palavra? Vale ler o livro.

Lembrei de uma crônica do Cony, no Estadão (27.09.15), em que diz não ver os poemas como sintetizadores da Poesia. Para ele a Poesia está por tudo, por aí, em todas as coisas e gente. A pretensão do poema, de só ele expressar a Poesia, para Cony é demasiada. Ele não se satisfaz com versos. É um sentimento (entendimento?) dele. Que fique com ele.

De fato, temos visto que muitos livros que se pretendem de Poesia, não a alcançam, no meu modo de ver. Por que? Porque muitos pretensos poetas fazem apenas textos em prosa, às vezes até com rima, não importa. A Poesia está, essencialmente, na criação metafórica. O que seria isso? O Poeta tem usar símbolos da linguagem para expressar sentimentos, percepções, leituras do mundo. Dividir um texto em prosa em "versos", em pedaços menores de escrita, não o transforma em Poesia. Persiste sendo prosa.

O Cavenatti, amigo de muitos anos, querido irmão, pensa diversamente. Também exige a metáfora no que escreve. O seu texto oferece múltiplas interpretações, da sensualidade à vista do que nos rodeia. Cabe ao leitor recriá-las e recriá-las depois de oferecidas. Gritar: "Eu te amo/ sinto muito a tua falta/ não consigo viver sem você", expressa, sem dúvida um sentimento. Mas é só prosa. Mesmo dividido em "pedaços" que uns pretensiosos dizem ser "versos".

Errante, lá vem ele: "sinto que o tempo/ é mar,/ às vezes calmo,/ outras... revolto"// E vai em frente: "os braços-galhos/ já não suportam/ carregar os dias,/ não são solidários..."// E ainda, lá adiante, conclui: "no meu pacote,/ folhas-dias-livro,/ encontro o tempo/ para reler-escrever... o amor" (poema "Reler").

Roberto Cavenatti, um dos líderes do Grupo "Entremeio Literário", vai lançar seu livro "Andejo" no próximo 25 de novembro (a tarde em Mogi e) a noite, às 20 horas, na Faculdade Piaget, em Suzano, com música de Toninho Nascimento. Estaremos lá.

Outros versos nos dizem: "a minha volta/ (oculto em poemas)/ tudo e todos/ viverão..." (poema "Eu e o Ontem").

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