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Aprendendo a ajustar o foco da lente da felicidade

13 JUL 2016 - 08h00

Jorge LordelloUm casal resolveu jantar fora para comemorar os 20 anos de matrimônio. A mulher trazia nos olhos o brilho dos que sabem compartilhar alegrias e se sentem felizes com pequenas coisas. O homem se apresentava carrancudo; tinha o rosto marcado por rugas de preocupação e no coração um tanto de revolta. Sentaram-se à mesa, e enquanto ela olhava o cardápio procurando algo simples e gostoso para a refeição, ele começou, do nada, a desabafar. Reclamou que as coisas não estavam dando certo, que tinha investido em um determinado produto em sua loja, contando que as vendas fossem excelentes, mas que não haviam sido. O produto não era tão atraente assim. Ou talvez fosse o preço. Enfim, o comerciante reclamava e reclamava. De repente, ele parou de falar. Observou que sua esposa parecia não estar ouvindo o que ele dizia. Na verdade, ela estava mesmo era em outra esfera. Olhava fixamente para um arranjo de plantas que enfeitava o balcão do pequeno restaurante. Sim, ela não estava interessada na sua conversa.

Ele olhou na mesma direção e, de forma mecânica, comentou: “A árvore está bem enfeitada, mas uma das lâmpadas está queimada”. A esposa rebateu: “É verdade... uma delas está, mas eu nem tinha reparado. Você só conseguiu vê-la porque está pessimista, meu amor. No entanto, não conseguiu perceber a beleza das dezenas de outras luzes coloridas que acendem e apagam, lançando reflexos no ambiente. Você focalizou apenas no problema, eu preferi me concentrar na beleza da cena”. Amigo leitor, esta singela estorinha nos traz profundas reflexões. Conheço pessoas que ao olharem para a natureza enxergam a magnitude da floresta, enquanto outras só conseguem ver uma única árvore. Quanto mais o leitor diminuir o ângulo de visão, mais fácil será enxergar as rugas ou os pequeninos defeitos. Pessoas que têm olhar crítico com a vida, enxergam sempre com a lente praticamente fechada, onde o ângulo de visão é diminuto. Já os pessimistas ou de mal com a vida, praticam algo ainda mais pesaroso. Focam num pequenino problema e inserem uma lupa, deixando a dificuldade ganhar o tamanho de um mostro feio e perverso. Portanto, amigo leitor, se desejas mesmo sentir a tal da felicidade, aprenda a ajustar a lente de seu coração para as coisas que realmente valham a pena nesta vida.

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