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Jornal Diário de Suzano - 20/07/2019
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As dimensões Políticas e Naturais do Abastecimento de Água

19 AGO 2015 - 08h00

De acordo com o agrônomo e pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Antonio Donato Nobre, a seca de São Paulo está relacionada com o desmatamento amazônico. Segundo o pesquisador "a floresta é um sistema de proteção, uma poupança". Se aparece um imprevisto e você tem dinheiro guardado, você se vira. É o que acontece agora. "Não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a "costa quente" da Amazônia. A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais".

O pesquisador ainda diz que "a floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E na Amazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos".

Então o que se observa é uma ação antrópica na floresta amazônica: trata-se da insensatez do desmatamento a todo custo, seja para exploração da madeira, seja para a produção de soja, seja para a feitura de pastos, e seus efeitos nefastos são sentidos para além do território amazônico.

Dito desta forma fica a impressão de que o descaso amazônico é o único responsável pela seca de São Paulo. Não seria verdade dizer isso. Como disse o próprio Nobre, há uma irresponsabilidade histórica com a destruição da Mata Atlântica. Há também uma série de irresponsabilidades com relação às políticas locais, dentre as quais:

"    O desperdício de água nas redes de distribuição. No país, a perda é de 40%. Em São Paulo, o desperdício é pouco maior que 25%. No Japão, para efeitos de comparação, o desperdício não chega a dois dígitos;

"    O descuido com o Rio Tietê e seus afluentes. O Tietê e seus afluentes estão altamente poluídos por deposição de esgotos, lixo, sedimentos, dentre outros. Não há ação local ou metropolitana para reduzir o referido descuido;

"    Aumento da impermeabilidade do solo, com políticas de asfaltamento e de moradia em áreas de manancial. A questão da moradia não é encarada como problema metropolitano, mas local. Assim, cada município trata de destruir seus mananciais, suas áreas verdes e a produção de hortifrutigranjeiro para ampliar o acesso à moradia enquanto muitos imóveis da região central de São Paulo e de muitas áreas nobres de municípios metropolitanos ficam desocupados (cumprindo mero papel especulativo).

Assim, a seca em São Paulo é uma questão política, e para ser revertida não depende da boa vontade da natureza, mas de decisões políticas corajosas e coordenação política tanto em nível nacional, quanto nos níveis estadual, metropolitano e municipal.



Eduardo Caldas

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