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Jornal Diário de Suzano - 22/09/2020
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As múltiplas escalas da Agricultura Urbana

24 AGO 2016 - 08h00

eduardo caldas corAo longo do tempo, os centros de produção de bens e serviços necessários para a alimentação, energia e moradia afastaram-se das áreas residenciais. No que se refere à alimentação em especial, a Região Metropolitana de São Paulo foi um cinturão verde que circunscrevia a capital paulista. Ferraz de Vasconcelos foi importante produtor de pêssego, Suzano foi a cidade das flores, e assim por diante.

As áreas produtivas, entretanto, ficaram cada vez mais distantes dos centros de consumo em função do aumento do preço da terra e também porque muitas das áreas destinadas ao plantio e à criação de animais foram ocupadas por habitações precárias de moradores que foram expulsos das áreas centrais.

Quantas chácaras produtoras de hortaliças e frutas nos anos 80 tornaram-se lotes e condomínios no limiar dos anos 2000? O pior é que os novos lotes, muitas vezes, não estão integrados a serviços básicos como saúde pública, escola, e mesmo transporte público. Da mesma forma, muitas vezes, os moradores desses novos lotes estão a muitos quilômetros de distância de seus respectivos empregos.

O distanciamento entre a produção de alimentos e seu consumo significa aumento nos custos, uma vez que há um gasto maior com transporte e armazenagem, e perda da qualidade do produto.

A Agricultura Urbana nada mais é que a produção de alimentos dentro da área urbana. Em geral, caracteriza-se pela ocupação sistemática, ampliada e integrada de áreas urbanas para a produção de hortaliças, frutas, ervas medicinais, plantas ornamentais, voltadas para o auto consumo, as trocas, doações ou mesmo comercialização, de forma a melhor aproveitar os recursos locais e territoriais disponíveis como solo, água, resíduos sólidos, mão-de-obra, tecnologia apropriada e saberes diversos.

A agricultura urbana pode ser praticada em jardins internos de residências e condomínios, em apartamentos, em hortas e jardins verticais (ao longo de muros e paredes). Além de praticada em espaços privados, a agricultura urbana também pode ser praticada em espaços públicos e institucionais como Escolas, Creches e Unidades Básicas de Saúde, dentre outros.

Em escala um pouco maior, a agricultura urbana pode ser praticada em terrenos baldios, nas laterais de vias férreas; laterais de estradas e avenidas; margens de cursos d'água; áreas inundáveis; e faixa sob linhas de alta tensão (como a que corta Suzano de Leste a Oeste desde a divisa com Poá até a divisa com Mogi das Cruzes).

Em escala ainda maior e mais destacada, a agricultura urbana deve fazer parte do Plano Diretor Municipal, uma vez que as chácaras e sítios estão absolutamente integrados à dinâmica urbana como é o caso da Região de Palmeiras, da Casa Branca e da Chácara Mea, no extremo norte do município.

Como o assunto da agricultura não é tratado em suas múltiplas escalas, não há uma política para estimular a agricultura em pequenas áreas domésticas; tampouco para dar melhor destino aos terrenos baldios; e quem dirá para regular áreas que outrora foram importantes para o abastecimento alimentar regional e recentemente tornaram-se áreas de moradia mal integradas aos serviços urbanos.

A agricultura urbana, assim, além de permitir a construção de um discurso que indica a maior integração do indivíduo com o meio natural; é um tema que exige o desenvolvimento de muitos instrumentos de políticas públicas em múltiplas escalas.

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