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Jornal Diário de Suzano - 23/11/2017
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Bibliotecas e Política de Leitura

22 JUL 2015 - 08h00
Em 2010 foi aprovada a Lei Federal 12.244 que trata da "universalização das bibliotecas nas instituições de ensino" e passa a exigir "a instalação de biblioteca nas escolas até 2020, com ao menos um livro por aluno matriculado". A Lei estabelece também que este processo de universalização das bibliotecas respeite a profissão de bibliotecário.

A Lei não está preocupada com uma política de formação de leitores e com processos de mediação de leitura, mas com a universalização das bibliotecas e com a valorização dos bibliotecários.

Lembro-me de quando ainda estudava em Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus (EEPSG). Havia na escola uma sala com função de biblioteca, um acervo disposto em uma estante de madeira que cobria uma parede lateral inteira, um balcão para empréstimos e algumas mesas para uso dos interessados. Tempos depois a sala foi transformada em "depósito de tudo" e espaço informal de venda de "bijuterias" e roupas. Não imagino se o acervo permanece na escola ou se teve outro paradeiro.

Lembro-me também que nos anos 90, no Distrito Federal, o então Governador Cristovam Buarque iniciou o Programa Mala do Livro, que consistia em disponibilizar "Malas de Livros" em domicílios no Distrito Federal, responsabilizando voluntários para disponibilizar o material e animar a rede de leitores.

O que se aprende a partir dessas iniciativas e dessas lembranças de bibliotecas e políticas de leitura?

1 - Aprende-se que políticas de formação de leitores e mediação de leitura são diferentes das políticas de universalização de bibliotecas e que estas últimas embora disponibilizem acervos não garantem acesso ao livro e tampouco incentivo à leitura;

2 - Também se aprende que as políticas públicas são compostas por dois fluxos: um fluxo do governo para a sociedade por meio do qual se disponibiliza determinado serviço (como os acervos e os livros); e outro fluxo que garante o acesso a esse serviço, por meio da divulgação, da realização de atividades vinculadas ao serviço e que se pode chamar de demanda.

3 - Finalmente se aprende que cada uma das iniciativas é composta por um conjunto de "instrumentos" - leis, decretos, orçamentos, funcionários responsáveis, secretarias, voluntários, dentre outros - e que cada instrumento é formatado na medida certa para um grupo interessado. A política nacional de universalização das bibliotecas é feita sob medida para os bibliotecários; a biblioteca existente na biblioteca em que estudei não estava amparada em um grupo interessado e tampouco tinha um conjunto de "instrumentos" e, provavelmente, por isso, tenha durado pouco; a política de leitura do DF estava a serviço de uma Rede de Leitores e mediadores de leitura que usavam as "Malas do Livro" e os encontros de leitores e leituras para encontrarem-se entre si e discutirem outros assuntos que passam pela política e pela vida pública local.

Eduardo Caldas

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