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Jornal Diário de Suzano - 13/12/2017
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Carlos Ap. Ramos, mais conhecido com o nome de Coca

24 JUL 2015 - 08h00

Os últimos dias de Coca, internado na Santa Casa, estavam carregados de cansaço, de tratamento intensivo e ansiosa expectativa sobre o seu estado de saúde. Deu o que deu. Perdemos o Coca. Quem era o Coca? Era bem conhecido em Suzano.

Acompanhava a vida da cidade, ficando fora da vida política e cultural, mas sempre presente na vida social e pública mais do que tantos outros suzanenses de fachada que ficam pouco na cidade ou que a conhecem pouco.

Coca, era o seu apelido, porque gostava de coca-cola. Amava Suzano e mesmo tendo um raciocino muito reduzido, saia de casa, apenas para cumprimentar, não a qualquer um, mas apenas aqueles que prestigiavam a sua chegada, com uma boa acolhida.

Muita atenção deram a ele, Arnaldo Marin Junior, o Nardinho, hoje atual Secretário da Educação, o Dr. Edson Gianuzzi, Delegado de Polícia na Secção Central de Suzano, o sempre bem humorado e narrador de fatos burlescos Ticão, e os amigos da padaria Santa Helena. Eles estiveram no velório no dia do seu sepultamento, acontecido na semana retrasada e acompanharam a recomendação do corpo, junto aos membros da Igreja evangélica (por ser sua família evangélica ) e também da Igreja católica.

Coca soube conquistar a amizade de muitos suzanenses, pois, sabemos que do coração de todas as pessoas com necessidades especiais, jorra o desejo de ter amigos. Pela deficiência que os afeta, o único bem que podem curtir é o carinho, que marca tanto a sensibilidade deles, a ponto de qualquer gesto carinhoso, tornar-se bálsamo e manifestação de verdadeira ternura e amizade.

Na Missa de Ação de Graças, pelos 60 anos de caminhada das Voluntárias da Rede Feminina do Câncer, foi notada a sua ausência na Igreja Matriz de São Sebastião.

Estava internado, por ter sofrido um grave AVC. Não resistiu e a sua história mudou na direção do Céu, acompanhado pela luz divina, para entrar no Paraiso.

O testemunho social do Coca foi sempre exemplar. Vestia-se bem, aparecia quase sempre com terno e gravata, com o capote que tirava do armário nos dias de frio e levava consigo um guarda-chuva, que parecia mais um bastão de lorde inglês ou de um gentleman.

Era o freguês mais fiel na prática religiosa da Santa Missa, sentando sempre no primeiro banco da Matriz de São Sebastião. Ao se deparar com as pessoas que conhecia, as cumprimentava com um sorriso amável e sincero. As palavras do Coca eram sempre poucas, quase não falava, mas olhava nos olhos dos que se aproximavam dele. Guardava dentro de si, nomes, rostos e pessoas com suas funções na cidade, no governo e na Igreja. Suzano perdeu um cidadão amado, que honrou a sua passagem neste mundo sem prejudicar ou magoar alguém. Nada de palavrões ou xingamentos, ao contrário do Dito, falecido no ano passado, que, quando estava na rua, gritava, brigava, xingava e falava palavrões, contra as pessoas que o provocavam. Foi triste também, perder o caríssimo Dito.

Coca não sofreu o isolamento em casa, mas curtiu bem a inclusão na família, na Igreja e na sociedade suzanense. Ele fez a sua parte vivendo como um bom cidadão.

É necessário, que cada um faça a sua parte, para tornar a vida dessas pessoas um pouco mais digna, com qualidade e respeito. A vida social de Carlos Aparecido Ramos, o Coca, deveria servir de reflexão, para ocasionar mudanças na realidade atual, tão discriminatória. Que toda a sociedade e o poder público transformem a cidade numa casa comum, organizada e arrumada, onde nobres e pobres e sobretudo as pessoas com deficiência, sintam lá dentro da alma que somos todos iguais.



Padre Carmine

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