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Jornal Diário de Suzano - 19/09/2020
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Conscientização

09 AGO 2016 - 08h00

lorena-burger-jurada-do-c-de-cronica-frrEm minha profissão vemos e falamos com muita frequência sobre violência doméstica e esse parece ser um assunto que nunca sai da pauta dos advogados que militam na área de família e na área criminal. Não é raro termos que dar atendimento às mulheres que sofrem agressões por parte de seus companheiros, mulheres que muitas vezes se calam e apanham rotineiramente, mas que temem por mais violência não só contra ela, mas principalmente contra seus filhos.

Calam-se e sofrem em silêncio imensas dores físicas, pois são atingidas por seus companheiros de maneira agressiva e nefasta, e temem que ao delata-los numa delegacia não conseguirão conter a fúria desses homens, que quando tem suas mazelas expostas são capazes até de matar, mas são em sua grande maioria perigosos somente dentro do lar e para com seus familiares mais próximos, na rua com amigos e pessoas estranhas se passam por seres calmos e pacíficos.

Antigamente esses fatos eram mais corriqueiros do que se pode imaginar, até pela cultura que ao marido tudo era permitido, que a esposa, a companheira, a mãe de seus filhos era de fato sua propriedade e dela podia fazer o que bem entendesse sem que ninguém pudesse tomar uma atitude. Usava-se inclusive como desculpa um ditado muito antigo que "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher" e, assim sentiam-se fortes e protegidos para agredirem ameaçarem sem que nenhuma providência fosse tomada.

Se essas mulheres infelizes e machucadas se municiassem de coragem e fossem até uma delegacia, sofreriam chacotas por parte dos policiais que também entendiam que elas apanhavam porque gostavam ou mereciam e, não lhes davam muito crédito, quando muito elaboravam um boletim de ocorrência e as encaminhavam de volta ao lar, onde sofreriam represálias do marido e até dos vizinhos, por ter exposto uma situação íntima da família.

Foi preciso de uma mulher de coragem, que sofreu muita violência por parte de seu companheiro, tendo inclusive levado um tiro que a lesionou, vivendo hoje numa cadeira de rodas e que por conta disso lutou bravamente por justiça, para que surgisse uma lei que amparasse essas vítimas infelizes e outrora indefesas.

A Lei Maria da Penha veio para proteger, dar guarida e amparo para essas mulheres que não tinham voz, que sofriam todo tipo de violência por parte de seus companheiros, que não podiam contar nem mesmo com a ajuda de seus familiares, que preferiam não interferir nessas situações.

Hoje em nossa cidade e em muitas outras contamos com delegacias especializadas no atendimento a essas mulheres sofridas, onde delegadas as atendem e as encaminham para abrigos onde estarão protegidas, a justiça se especializa nessa área e essa mulher então se sente segura para denunciar, ciente de que terá se necessário até atendimento psicológico para superar os traumas que guarda na alma.

Hoje já sabemos que o velho ditado perdeu força e sim devemos e podemos "meter a colher", interferir e denunciar esses casos, evitando males maiores como a morte dessas mulheres vítimas de homens violentos e que se buscarem auxílio, serão acolhidas por pessoas que tudo farão para que se sintam de fato protegidas, proteção que será sempre que necessário estendida a seus filhos.

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