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Jornal Diário de Suzano - 02/12/2020
Sec de Governo - Educação Kit de Atividades - Dezembro
Sec de Governo - Educação Kit de Atividades 02 - Dezembro

De quem é a falha?

08 NOV 2015 - 07h00

SUELIMuito se tem falado sobre o vídeo compartilhado nas redes sociais em que uma criança aparece jogando móveis, livros, objetos no chão de uma sala de uma escola, enquanto é "observada" e diria, até estimulada, por profissionais da escola, que parecem não saber como proceder diante da situação. Pelas falas do vídeo, a equipe escolar parece entender que o caso é da polícia, do bombeiro, da assistente social... E tudo isso ocorreu em uma escola que tem o nome de um dos maiores educadores de nosso país - Paulo Freire! É difícil julgar recortes de determinada realidade. O vídeo foi veiculado, comentado por profissionais ligados à Educação, por psicólogos, promotores, juízes e pelo povo de forma geral. Não é a primeira vez que isso acontece em nossas escolas, certamente. Talvez, o ineditismo tenha sido a veiculação. Os comentários que mais apareceram foram os relacionados às questões de falta de disciplina e limites. Pode ser que o comportamento daquela criança seja, de fato, por falta de limites. Mas também pode ter outras causas. Há casos em que crianças e adolescentes se manifestam dessa forma e se descobre mais tarde que estão sendo vítimas de negligência, abusos, abandono; ou estão reproduzindo aquilo que estão vivendo em seus lares. Não sabemos o quanto a criança e sua família foram acompanhadas pela escola. Podemos imaginar, sim, a intencionalidade do vídeo! Nas redes sociais, de forma geral, os educadores foram defendidos, e a criança foi até chamada de "diabo mirim". Nenhum dos profissionais ali presentes teve, pelo menos, uma atitude razoável em relação à criança. De fato, corria-se o risco de machucar a criança ao tentar coibi-la de uma forma inadequada. Contudo, não se ouve no vídeo ninguém chamar a criança pelo nome; não se percebe qualquer tentativa de acolhimento, de afetividade, de diálogo firme. Os problemas têm que ser discutidos analisando-se também os contextos em que ocorrem. Sabe-se que a diretora foi afastada, abriu-se uma apuração dos fatos, a criança foi encaminhada à Assistência Social, ao Conselho Tutelar; a família foi chamada e ouvida. Mas o que aconteceu antes dessa ocorrência? O que tem acontecido com essa criança na vida em família, na sala de aula, nas interações com a professora, com os profissionais da escola, com as outras crianças? Qual é o vínculo dessa criança com a escola? Sinceramente, não acredito ter sido um fato isolado. Seja como for, grande parte dos educadores está despreparada para situações como essa. É verdade, sim, que muitos pais têm falhado na educação dos filhos. E isso tem trazido muitos problemas para as escolas, que ainda esperam "alunos ideais", "famílias ideais". As crianças precisam de regras, de limites, sem dúvida. Mas não podemos esquecer que elas estão se socializando com as interações, aprendendo a se relacionar e a conviver. E nem sempre têm bons exemplos! Cada família tem uma cultura familiar, que precisa ser respeitada, mas às vezes questionada, a fim de que sejam garantidos os direitos das crianças. Tudo isso só é possível quando a escola é, de fato, inclusiva, justa, acolhedora e promotora da dignidade humana!

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