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Jornal Diário de Suzano - 23/10/2020
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Desastre na Estrada Mogi-Bertioga

16 JUN 2016 - 08h00

eduardo caldas corO filme "O Exercício do Poder", produção da Bélgica e da França, foi lançado em 2012. Nele era mostrada a vida cotidiana do ministro dos transportes na França. Trata-se de um filme que relata a política na alta cúpula, seus personagens, tramas, pressões. O povo era um detalhe. Apesar disso, o ministro foi acionado, em sua casa, no meio de uma madrugada de inverno por causa de um acidente ocorrido em uma rodovia francesa em que um ônibus de estudantes havia tombado. O ministério foi mobilizado. O ministro deslocou-se imediatamente para o local, lamentou a ocorrência, posicionou-se diante da imprensa, colocou o Estado francês a serviço dos familiares das vítimas. Em outras palavras, o Estado francês solidarizou-se com os envolvidos no acidente e agiu por meio de seu ministro de transportes.

Quatro anos depois do lançamento do referido filme, neste mês de junho de 2016, o Rio Sena transbordou em Paris. Os noticiários do mundo mostraram a ocorrência. As previsões meteorológicas permitiram que houvesse um plano de ação governamental diante da enchente prevista. Em outras palavras, a coleção de dados sobre o clima, tornaram-se informação capaz de orientar a ação do governo e reduzir perdas e danos para a sociedade.

Quando vi a notícia do desastre na Rodovia Mogi-Bertioga no dia da ocorrência, 8 de junho, ainda pela manhã nos noticiários de televisão, vieram-me à mente a ação do Estado francês registrada no filme "O exercício do poder". O governo do Estado de São Paulo, responsável pela referida Estrada por meio do Departamento de Estradas de Rodagens deveria se posicionar. Eu não vi nos noticiários o governador do Estado e tampouco o secretário de transportes posicionando-se, e solidarizando-se com os familiares das vítimas. Os técnicos, e não os políticos, trataram do caso por meio de procedimentos para a apuração de fatos.

No dia seguinte, vi a repercussão do desastre na Imprensa e no sábado o Diário de Suzano publicou uma reportagem com dados relevantes: desde 2010 até maio de 2016, o trecho do KM 84 da Rodovia Mogi-Bertioga registrou 11 acidentes com vítimas e 23 acidentes sem vítimas.

Não foi, portanto, um acidente aleatório. Não se sabia quando ocorreria e quem seriam as vítimas. Mas, assim como as previsões meteorológicas, havia dados sobre a periculosidade da estrada especificamente no referido trecho do Km 84 em que 18 jovens foram vítimas fatais neste mês de junho.

Deste fato na Estada Mogi-Bertioga, visto a partir das alusões do filme "Exercício do Poder" e da enchente parisiense, fico com a impressão que:

1.    Um acidente grave como este ocorrido na Estada Mogi-Bertioga poderia ser evitado por meio de ações preventivas, visto que há um conjunto de dados mostrando a periculosidade do trecho da referida estrada;

2.    O governo do Estado deveria ter mais coragem para tratar ocorrências desta natureza como fato político, solidarizar-se com os familiares da vítimas e posicionar-se publicamente.

Aprende-se, assim, que os números e o conjunto de dados coletados em qualquer área do conhecimento ou qualquer departamento do setor público devem tornar-se informação para amparar o planejamento e a implementação de políticas públicas; fica também a lição de que os bons governantes, em situação como esta, deve antes de mais nada expressar publicamente sua solidariedade aos familiares e amigos das vítimas.

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