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Jornal Diário de Suzano - 23/09/2020
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Dias frios

18 JUN 2016 - 08h00

suami-cor_O Inverno já vai chegar. E o Outono nos toma com força.

Fico pensando nesses tempos, em tudo o que fizemos com o nosso mundo, para padecermos com tudo o que nos passa, como “fenômenos” com nomes de menino e menina. Quando, justamente, as crianças querem mais é serem acolhidas.

Sei que muitas vezes nos escapam as palavras, e não menos triste isso é quando elas escapam aos poetas. E são tantas as vezes em que isso nos atinge.

Perder nunca é bom. De algum jeito isso nos doe. Quando as palavras nos faltam, não são apenas elas que nos deixam, são tantas as relações que se afastam de nós, que de algum jeito restamos de algum modo sós. E somos o que somos quando estamos juntos. Sozinho ninguém é alguém.

Num poema ainda inédito, intitulado “Tanto Silêncio”, com pequenas estrofes numeradas, trato desse inverno pessoal, da falta de comunicação, da solidão, da perda. Sinto que há cenas que nos esfriam a alma.

Vou dizendo metaforicamente algo assim: 1. “noites claras/ dias frios// 2. imensa noite pousada sobre os nossos dedos// 3. aquele livro/ abatido/ ali na estante// 4. a neve da sua mão”.

Agora, aqui escrevendo, retomo, ou tomam-me, recordações suaves. Elas vem devagar. Toda e qualquer perda sempre nos choca, mas a saudade vem depois, lentamente. E me vem com força a lembrança do querido irmão José Maria Guardia que chegou ao seu caminho. Um profissional respeitado no seu meio, despachante, por tantos anos. Ofício que sempre foi o de facilitador da vida das pessoas. Mas o Guardia tinha lá o seu jeito especial de tratar com todos. Cuidou da sua família, criou seus filhos, ajudou a sociedade, atuou como membro de Clube de Serviço, o Rotary Club Suzano, como da fraternidade maçônica. E outras. A 27 de março completou 89 anos. Sempre recebi o seu carinho, sentia bem isso vindo dele. Deixou suas marcas. Deixa saudades. Aos parentes, amigos, irmãos.

Temos o nosso caminho. Todos nós. É de se olhar adiante.

Dificuldades são parte. Sempre haverá uma pedra a sua frente. As alegrias, a felicidade, são momentos, também passam. Não nos amaremos ao chão.

Sei que mesmo ao poeta, por vezes faltam gestos, faltam palavras, para dizer o que importa. Por isso lhes trago mais uns versos. Também inéditos. O poema chama-se “Vão”.

Ele nos diz assim: “as palavras vem/ saem do nosso interior/ como nos escapam// as palavras voam/ por vezes não as vemos mais// como as recolher?/ como as agregar?/ como construir os versos pelo caminho?”

Os dias frios também passam.

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