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Jornal Diário de Suzano - 03/12/2020
Sec de Governo - Educação Kit de Atividades - Dezembro
Sec de Governo - Educação Kit de Atividades 02 - Dezembro

Em Minhas Mãos

30 SET 2015 - 08h00

suami-cor_Ela chegou às minhas mãos meio distraída, como se por descuido, como sem se dar conta do que acontecia. Busquei, sim, segurá-la em minhas mãos até que me convencesse de que ela havia se apercebido do que se passava. Mas sabia que ela acabaria me escapando, como sempre o fez. Sempre escapou dos meus afagos.

Ela sempre chega assim, meio morna. Como sentimos em um abraço de carinho. Assim como um abraço amigo. Um abraço fraterno. Um abraço paterno, mais provavelmente. Ou, sei lá, como um abraço materno, se há mesmo tanta diferença entre um e outro. Enfim, como um abraço aquecido de proteção.

Ou talvez, uma coisa muito mais simples, um aperto de mão, vá lá. Ou um toque de dedos carinhosos. Quem sabe?

A sensibilidade está no ar, como uma ternura.

Fiquei pensando nisso. E cada vez mais, eu mesmo, me dava conta de que ela chega também assim a todos. Não apenas a mim. Havia essa sensação de ternura despertada.

De algum jeito era como se tivéssemos de repartir com outros tudo o que íamos nos dando conta pouco a pouco. Como se devêssemos, sim, fazê-lo.

Não, uma sensação não é, nunca, um dever. Não pode, não tem de ser um dever. Nem mesmo é um dever ter de reparti-la. Acalentar em si essa sensação, de algum modo, guardá-la em si mesmo, já é algo profundamente reconfortante. Mas ainda solitário.

Porém, espere um pouco, será que todo mundo se dá conta das suas próprias sensações? Já vi tanta gente sentir algo que estava no ar, que talvez até lhe parecesse evidente, quando pessoas ao lado de nada se apercebiam, nada sentiam, de nada se davam conta. E, infelizmente, isso não é coisa tão rara assim. Você sentir não obriga ninguém a ter o mesmo sentimento, nem por estar a seu lado, nem por ter boa relação com você. Pense nisso.

Contudo, quem sente algo de bom tende a querer distribui-lo, reparti-lo. O ser humano é assim.

A beleza me alcança no ar. Um ar cada vez mais morno, mais morno, mais. Não é tórrido, mas a sensação é de aquecimento que evolui de modo suave em uma progressão mais e mais densa.

Ela chega, apercebo-me, em minhas mãos.

É como se possa mesmo tocá-la. Talvez lá em meu íntimo, seja mesmo essa a minha impressão, digo mais, talvez seja essa a minha percepção, de que consigo tocá-la.

A Primavera me chega assim. Morna. Toca-me, envolve-me. Sei que ela está a meu lado, mais, está em todo o meu entorno. Amo isso.

A Primavera toca as minhas mãos e não consigo deixa-la. Mesmo sabendo que ela vai me escapar mais adiante. Mas agora, é tão bom senti-la.

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