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Jornal Diário de Suzano - 13/12/2017
mrv

Enamorado

13 JUN 2015 - 08h00

Ontem foi Dia dos Namorados. Ou hoje também é. Cada dia sempre senti como especial. Tenho a felicidade de a minha namorada me compreender há muito tempo. E tento compreendê-la, igualmente. Sempre foi uma grande parceira, desde muito cedo. Sempre homenageei-a com a dedicatória de meus livros de poesia. Livros acadêmicos são outras coisas. São muitos pelo meu caminho, mas diversos.

Poderia dizer, como já disse, que tive sorte na Vida. Mas não seria demonstrar que aprendi mais com as pedras das trilhas ou alamedas e outros estranhos percursos que percorri ao longo dos meus tantos dias. Sei hoje que foi mais do que sorte. O Senhor, que de fato é o Grande Arquiteto Do Universo, que sabe, sim, de tudo muito antes de todos nós, ante quem me deparo como um simples aprendiz de pedreiro, ofereceu-me muitas oportunidades. Uma delas, ao mesmo tempo singela e especial, foi aproximar-me de alguém que aceitou acompanhar-me por tantos rios e mares a que me deparei.

De um poeta tornei-me amigo, além de admirador, o português Eugénio de Andrade, um dos grandes e sensíveis artistas do nosso idioma, um dos mais significativos no seu lirismo, me foi dada a oportunidade de realizar o primeiro estudo acadêmico. Já fui homenageado pelos portugueses, até com esse dado em livros lá publicados, o que se faz mais uma forma de alegria. Pois lembro do querido Eugénio de Andrade, já falecido, também por ter sido uma influência na minha pretensa Arte Poética. E enamorado, repito versos seus: “Barcos ou não/ ardem na tarde// No ardor do verão/ todo rumor é ave// Voa coração/ ou então arde”.

Quem ama arde. Como não perceber?

Sorte eu tive, talvez. Que sei eu? Ou apenas fui escolhido para algumas missões. E para tanto me foi concedido um tanto de tempo a mais? Com tantos a quem dei a mão? A tantos que me deram a mão? Amei e fui amado. Amo e sou amado. Amarei e serei amado. Ainda que poucos, muito poucos, possam ser esses tantos. O tempo passa sem que nos apercebamos perfeitamente. Todos temos o que fazer, nem que não saibamos, nem que nem queiramos saber. Escolhidos nós somos. Não me soa triste seja qual for a missão a frente. Nem percebo com tristeza a imagem que vem, nestes versos, do “Nocturno de Veneza”, também de Eugénio de Andrade: “Pergunto se não morre esta secreta/ música de tanto olhar a água./ pergunto se não arde/ de alegria ou mágoa/ este florir do ser na noite aberta.”

Agradeço, diariamente, as condições que me são oferecidas. O amor que posso repartir, além do que recebo.



Suami Paula de Azevedo

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