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Jornal Diário de Suzano - 22/11/2017
mrv

Era uma Vez...

04 ABR 2015 - 08h00

Já disse aqui o quanto alguns poetas, foram importantes na minha vida, e pude destacar artistas como Mario Quintana. Teve mais gente me encantando, claro. Vejo o quanto isso pode ser normal num período que vou completando agora, de cinquenta anos de escrita poética.

E um desses artistas foi o Poeta português Eugénio de Andrade, que entendo tenha sido o maior poeta lírico contemporâneo de seu País. Minha felicidade foi ter sido apresentado a ele pela querida amiga, também portuguesa, então minha professora na Sorbonne, a Mestra Tereza Rita Lopes, com toda a certeza uma das maiores especialistas em Fernando Pessoa. Creio que estávamos aí por 1973.

Um poema de Eugénio pode tocar: "Espera": "Horas, horas sem fim,/ pesadas, fundas,/ esperarei por ti/ até que todas as coisas sejam mudas.// Até que uma pedra irrompa/ e floresça./ Até que um pássaro me saia da garganta/ e no silêncio desapareça." Versos aí do final dos anos de 1940. Escrevi algumas palavras sobre sua capacidade de tratar a metáfora nos versos. Reflexões de cunho acadêmico.

Por meio da minha Mestra Tereza Rita, o Poeta e eu acabamos nos tornando amigos. Passamos a trocar correspondência. E, em 1974 iniciei estudos mais aprofundados sobre a sua poética. Até que cheguei ao seu livro de 1964, o "Ostinato Rigore". Alguns poemas eram como magia. Lembro de um: "Epitáfio": "Barcos ou não/ ardem na tarde.// No ardor do verão/ todo o rumor é ave.// Voa coração./ Ou então arde."

O "Ostinato Rigore" (lema de Leonardo da Vinci) acabou virando sujeito de estudo do meu Mestrado na Sorbonne, com enfoque de Linguística, ainda bastante preso ao Estruturalismo, que algumas linhas já abandonavam. Mas esse estudo veio a ser o primeiro trabalho universitário sobre a obra de Eugénio de Andrade, a que denominei de "Rigorosa Arquitetura". Hoje consta em trabalhos de estudiosos rigorosos, como do crítico português, Arnaldo Saraiva, reconhecendo esse meu estudo como a primeira obra acadêmica sobre a poesia de Eugénio de Andrade, em 1975.

Já tive, e tenho, convites para a publicação desse trabalho, tanto no Brasil como em Portugal. Sinto que depois de Pessoa não se conheça mais nenhum poeta português no Brasil. Acho que agora é o momento de mudar isso. E trago aqui versos, como os de "Erros de Passagem": "1./ Apelo da manhã perdido em flor:/ ave seria se não fosse ardor.// 2./ Pelo sabor da água reconheço/ a ternura e os flancos do verão."

Hoje falecido, o Poeta merece maior reconhecimento. Vamos ver.

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