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Jornal Diário de Suzano - 24/11/2017
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Essa Tal de Cultura

11 ABR 2015 - 08h00

O amigo jornalista Geraldo Rodrigues passou-me texto do poeta e professor Afonso Romano de Santanna, no “Estadão” de 30 de setembro do ano passado (“Novo Conceito de Cultura”). Encontrei Afonso na Sorbonne, Universidade de Paris, há duas semanas. Não pudemos conversar muito, eu saia de um evento e ele entrava em outro. Ele dirigiu a Biblioteca Nacional e sabe dos problemas de gestão de cultura em nosso País. Nesse artigo reflete sobre a cultura que temos, saibamos ou não. Questiona politicas culturais e pergunta como tratar de nossa própria cultura “fora” do Brasil.

Ele não propõe acabar com o Ministério da Cultura, propõe mesmo quadruplicar seu orçamento. Afonso ainda propõe mudar a Lei Rouanet, que tira dinheiro devido em impostos pelas empresas, dizendo que o dinheiro aplicado em cultura deveria vir dos próprios empresários, como nos Estados Unidos. E chama a atenção para o que fazemos, desde como tratamos o lixo até como tratamos os presos, essa é a nossa cultura. Questiona o que se faz em relação a Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP), os lusófonos. Não divulgamos nossos autores nem para eles.

Aliás, recebi uma homenagem da Divine Academie, entidade francesa que faz trabalho sóciocultural de qualidade, a que agradeço e cumprimento, junto com Martinho da Vila, que lançou, em francês, no Salão do Livro de Paris, o seu “Os Lusófonos”, onde trata justamente das relações culturais de gente de língua portuguesa.

Há mais de 40 anos, no tempo de meu exílio, vi na França que as crianças portuguesas (dois milhões de portugueses viviam lá) não conseguiam aprender francês e eram colocadas em classes de alunos especiais. Até que linguistas demonstraram que se elas fossem alfabetizadas em português, logo aprenderiam a segunda língua. Isso feito, toda a situação se alterou. Num lugar como o estado de São Paulo, que recebe migrantes e imigrantes de todos os lugares, o que fazemos para preservar a nossa cultura paulista ou brasileira? Ensinamos algo ou tudo fica aberto a ser ocupado por “qualquer coisa”, até mesmo autodestrutiva, como o vandalismo, que não é mais que uma reação a falta de alternativa ou ocupação?

Temos de pensar. Aprenderemos a história local, se nos ensinarem. Aprenderemos os (bons) costumes locais, se nos ensinarem. As vezes nos ensinam pela prática, que pode ser destrutiva. Preservaremos o que temos se aprendermos a sua importância. Ninguém nasce sabendo. Cultura se adquire, mesmo que não percebamos. E gosto se educa.

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